terça-feira, 28 julho, 2026
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 BACTÉRIAS DESENVOLVIDAS NA UFPR SÃO LICENCIADAS PARA EMPRESA DOS EUA

Professor Emanuel Maltempi de Souza, da UFPR (Foto:UEL)

É caso inédito no Brasil
(Por Amanda Miranda)

BACTÉRIAS

As bactérias fixadoras de nitrogênio não são mais uma novidade para a ciência e para a agricultura. Os fazendeiros as têm usado no cultivo de plantas da família das leguminosas por centenas de anos sem que soubessem, e a ciência as descobriu cerca de 130 anos atrás, no final do século XIX. Mas somente nos últimos anos a biodiversidade brasileira tem sido utilizada para expandir o uso dessas bactérias em diversas culturas.

Essas novas tecnologias começam a ganhar o mundo a partir de pesquisas realizadas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em outras instituições do Brasil. Eficazes para o crescimento das plantas como alternativa à utilização de compostos químicos, as estirpes de Azospirillum brasilense HM053 e HM210, selecionadas na UFPR pelo professor Fábio Pedrosa, serão agora estudadas nos Estados Unidos, a partir de um contrato de transferência de tecnologia firmado entre a UFPR e a empresa americana PIVOT BIO, que tem sede na cidade de Berkeley, Califórnia.

BIOFERTLIZANTES

Estes exemplares são estudados desde a década de 1990 pelo professor Pedrosa, do Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio, e agora, a partir do contrato, poderão ser investigados também pela empresa norte-americana, que aposta nos biofertilizantes para suprir as necessidade de nitrogênio das plantas e para melhorar a sustentabilidade e a saúde do planeta por meio da inovação científica. Eles chegaram a visitar a UFPR duas vezes antes de assinar o contrato, via Agência de Inovação.

UM NOVO PRODUTO

O professor Emanuel Maltempi de Souza, pesquisador do Núcleo de Fixação de Nitrogênio, lembra que é a primeira vez que uma empresa do exterior mira sua atenção às bactérias da biodiversidade brasileira. “Eles pretendem estudá-las e desenvolver pesquisas que podem resultar em um novo produto”, explica. O convênio leva em conta também a lei da biodiversidade, que normatiza “o acesso ao patrimônio genético, proteção e acesso ao conhecimento tradicional associado e, a repartição de benefícios para a conservação e uso sustentável da biodiversidade”.

De acordo com a Agência de Inovação, responsável por intermediar o convênio, assinado pelo reitor Ricardo Marcelo Fonseca, o contrato tem como objeto o fornecimento de tecnologia e concessão de licença para uso e pesquisa e desenvolvimento de produtos comercial das cepas Azospirillum brasilense HM053 e HM210. O contrato tem validade de 4 anos para desenvolvimento dos estudos.

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