terça-feira, 28 julho, 2026
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FLÁVIO ARNS: “ É INDECENTE TIRAR RECURSOS DA EDUCAÇÃO PARA OUTRAS ÁREAS” 

Senador Flávio Arns

“Programas sociais são essenciais, mas não com recursos da educação” 

O senador Flávio Arns (Podemos/PR), leitor assíduo deste espaço,  companheiro de jornadas em torno de temas como Ciência e Fé,   reagiu  com indignação ao anúncio do Governo Federal de tirar recursos do Fundo  de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos  Profissionais da Educação (Fundeb) para custear um novo programa social,  o Renda Cidadã.

“Essa proposta é um absurdo e a justificativa, indecente. Programas de  assistência social são essenciais no mundo inteiro, mas não com recursos  da educação. Os desafios são gigantescos na área da educação e se o  Brasil quiser ter presente e futuro tem que investir em ações  educacionais, que serão prioridade no período pós-pandemia”, afirmou  Flávio Arns.

POLÊMICA JUDICIAL

Ele explicou também que o Fundeb não está sujeito ao teto de gastos e, por esse motivo, a gestão do presidente Bolsonaro insiste em usar recursos do Fundo para bancar o Renda Cidadã. “Se tentou tirar recursos da educação para custear a área social quando se falou em Renda Brasil e essa tentativa foi barrada no Parlamento. Se na Lei do Pacto Federativo  se alterar o Fundeb para permitir esse tipo de desvio  de gastos com  assistência, vai gerar um problema judicial”.

INCONSTITUCIONAIS

E continuou: “Outra questão que temos que ressaltar é o remanejamento dos gastos com precatórios, uma tentativa evidente do governo em adiar o pagamento de dívidas. As duas situações são inconstitucionais e podem ser interpretadas como desvio de finalidade”.

O parlamentar acrescentou, ainda, que não existe nada mais importante para o Brasil do que a educação. “Tirar recursos da área é impensável, representando um gigantesco retrocesso. O desenvolvimento econômico e social do país tem como base a educação. Para se ter uma ideia, mais da  metade da população do Brasil não tem ensino básico completo.

ACESSO À CRECHE

Apenas 26% das populações mais vulneráveis têm acesso às creches. O  período integral também não é uma realidade. Como vamos permitir que se  retirem recursos da educação quando muitas escolas brasileiras não têm  sequer saneamento básico, água potável, banheiros, acesso à internet. Na  prática, isso seria ser conivente com uma ação isolada de governo.  Privar a população que mais precisa dos benefícios do Fundeb”, explicou.

FUNDEB É A ESPERANÇA

Flávio Arns lembrou ainda  que o Fundeb foi aprovado no Congresso Nacional porque foi resultado de um grande consenso com inúmeras audiências públicas, reuniões das duas Casas, conversas com a sociedade  e movimentos da área.

“O Fundo representa esperança para a educação e um avanço no combate às  desigualdades social e à corrupção. Agora se apresenta uma proposta  individual, sem ouvir a população e espera-se uma conivência. Não, não  vamos aceitar. Isso seria ir contra todos os direitos pelos quais  lutamos nos últimos anos. Seria um grande retrocesso para o país”.

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