Prezado jornalista:

Completando o comentário do jornalista Celso Ferreira do Nascimento, depois de Reinhold Stephanes (1979-1981), antes de Osmar Dias (1987-1994), ocupou a pasta da Agricultura no Paraná, Claus Magno Germer (1982-1985) e Francisco Albuquerque Neto (1985-1986). Germer representava a “esquerda” do governador José Richa, e defendia os movimentos de reforma agrária e pequenos agricultores. Tinha como chefe de gabinete o Jorge Samek, hoje presidente da Itaipu Binacional. Com os grandes produtores não se dava bem. É esse o motivo porque ele não tem destaque no livro “Ricardo Lunardelli, uma história a serviço da terra”, de Nilson Monteiro.
Foi nessa época que ingressei no jornalismo de agronegócio, para o Diário Indústria & Comércio. Costumava visitar diariamente a Secretaria da Agricultura em busca de notícias e informações.
COMENTÁRIOS

Lembro-me de comentários de técnicos (principalmente do DERAL – Departamento de Economia Rural) dando conta que estavam prontos diversos estudos para aplicar um grande programa de fomento agrícola, que fundia a técnica de plantio em terraços (microbacias), com plantio direto, fruticultura, controle no uso de agrotóxicos, etc. Em torno desse controle foram elaborados decretos e projetos de lei, mas o secretário encontrou muitas dificuldades políticas e jurídicas para colocá-las em execução. O resultado foi que saiu da Secretaria sem executar plenamente seu projeto.
Dele fica o empenho em defender e amparar a agricultura familiar, numa época de transição do café para a soja e milho.
A preocupação principal era criar meios para segurar o pequeno produtor no campo. A imigração para os centros urbanos era tão grande que causou problemas de infraestrutura que até hoje ainda pode se notar. No entanto, só a partir do secretário Osmar Dias, que projetos desvinculados de MSTs ou reforma agrária se desenvolveram com algum resultado positivo.
Seu sucessor, Francisco Albuquerque, foi mais uma gestão tampão, pois logo haveria a troca de governo. O governador era João Elísio Ferraz de Campos (1986-1987), cargo ocupado devido a saída de Richa, para concorrer ao Senado. Com a eleição de Álvaro Dias, Osmar Dias, seu irmão, ocupou o cargo.
ASSESSORIA

Em 1987 passei a fazer parte da assessoria de imprensa da Secretaria da Agricultura, onde fiquei por dois anos.
Nos comentários de corredor, deu-se a entender que o grande programa que reergueu a agricultura (Programa Paraná Rural) era nada mais, nada menos, que os projetos da equipe de Claus Germer sendo colocados em execução.
Dias conseguiu negociar a viabilidade política e econômica. Incluiu os grandes produtores e possibilitou o fortalecimento das cooperativas. O resultado podemos presenciar na força econômica que o setor rural presenta para o Estado.
ODAILSON ELMAR SPADA, jornalista, Curitiba
(correspondências para a coluna: aroldo@cienciaefe.org.br)
