Ao mesmo tempo, presidente do PDS municipal presidirá a convenção online do partido, dia 15, para escolha de candidatos a vereador

A sexta-feira (4), foi de intensas emoções nos meios políticos de Curitiba. Algumas delas não foram exatamente surpresa, como a liderança que o alcaide Rafael Greca de Macedo mostra nas pesquisas eleitorais estimuladas, tal como revelou a Paraná Pesquisas ao divulgar, na manhã, o resultado de avaliação que fez de intenção de voto, realizada entre 30 de agosto e 3 de setembro, com 800 eleitores.
A outra surpresa – que, na verdade, vinha sendo vocalizada por “pitonisas do meio político”– foi a convocação que o governador Ratinho Junior fez a Ney Leprevost para que ele volte à Secretaria de Justiça, Família e Trabalho, para comandar o denominado retorno ao pleno emprego no Paraná. Tudo em meio a altos elogios ao deputado e amigo.
Se aceitar a convocação, Leprevost estará desistindo da candidatura a prefeito, com a qual hoje se coloca em segunda posição para o pleito de novembro, segundo a mesma Paraná Pesquisa.
HORA DE EXAME
A seguir, a manifestação de Ney Leprevost em suas redes sociais, postada na sexta (4):
“Nesta sexta-feira recebi uma convocação do governador Ratinho Jr. para que eu reassuma a secretaria de Justiça, Família e Trabalho para coordenar a retomada dos empregos no Paraná. Disse a ele que irei refletir durante o final de semana, após conversar com familiares e amigos. A decisão é extremamente difícil. Que Deus me dê discernimento para tomá-la.”

A LEITURA PROVÁVEL
Algumas fontes abalizadas, como o jornalista Fábio Campana, vinham arriscando, há semanas, que o governador poderia formar aliança com Rafael Valdomiro Greca para a eleição de prefeito. E assim garantindo, em contrapartida, apoio do alcaide a sua reeleição a governador em 2022. Essa possibilidade, muito vocalizada, raramente escrita, teria uma explicação “forte”: Ratinho quer um nome com alta densidade eleitoral em Curitiba como cabo eleitoral na Capital. No caso, Greca seria a resposta.
PARCERIA & AMIZADE
Parceiro de primeira hora do governador Ratinho Junior, Ney Leprevost estaria, com o convite, sendo “suavemente” colocado fora do baralho eleitoral .Tudo como parte de um grande pacto.
Homem político por essência, o jovem Ratinho Junior jamais magoaria Ney Leprevost nem o deixaria na chuva, como observam velhas raposas.
A proposta de retorno à SEJU faria de Ney não apenas um super-secretário – quase “primus interpares” – como o colocaria na berlinda para o grupo Ratinho chamá-lo para concorrer ao Senado ou a vice-governador, futuramente.

SEM RECURSOS
O que se alega em setores ligados a Ney é que “ele não tem condições materiais para enfrentar a máquina bem azeitada de Greca”.
Enfim, há que esperar a ampulheta do tempo que, por vezes, surpreende muito além do esperado. Tempo político que recoloca na berlinda o jovem e competente Eduardo Pimentel Slaviero, vendendo saúde e competência, para ser o vice do alcaide, um cidadão do grupo de risco, 65 anos, lutando contra a obesidade mórbida e uma cena política maquiavélica na Prefeitura, onde tem de atender aos múltiplos grupos e interesses que foi criando e/ou alimentando nos últimos anos.
E, mais grave, onde o atual prefeito terá de administrar seus áulicos cada vez mais exigentes de benesses, como GG, Aranha Marrom, os ônibus, os “patrões” do ICI…

FRANCISCHINI E FRUET
No final, acredito, alguns candidatos poderão crescer com a eventual desistência de Ney. O primeiro deles, Fernando Francischini, que tem gana, garra, recursos materiais e o apoio do PSL; e, com certeza, apoio de Bolsonaro. O presidente, a despeito de seu governo complicado, tem pelo menos 40% de eleitores em Curitiba. Não esquecer disso.
Acho que outros candidatos se beneficiarão de eventual desistência de Ney: Gustavo Fruet (que não está mal no retrato da Paraná Pesquisa), Carol Arns, João Guilherme, do Novo…
Para mim, o quadro novo surgido me faz confirmar velho conselho de dona Matilde da Luz: “Ouça sempre os profissionais”. Segui a velha funcionária pública e, há quatro meses, uma fonte, o advogado Luiz Fernando Pereira, que entende como ninguém de política eleitoral e da política paranaense, me garantia:
– Ney Leprevost tem tudo para não ser candidato. Na última hora, deverá desistir.
CONTENTES COM MAGIAS
Espero que Ney nos indique se essas “pitonisas” estavam certas ou não. Eu, pessoalmente, torço por Ney, pois, sou eleitor e cidadão preocupado com uma Curitiba em que a velha política exercida por Greca (habilidoso em magias como só ele é capaz de exercer) fez o eleitor cada vez se contentar com pouca coisa.
O eleitor de hoje quer asfalto, ruas limpas, marketing. Nada de mexer com o lado podre e as loucuras administrativas que tiram a seiva vital da cidade e de todo o curitibano. Isso sem castigos à vista.
