sábado, 25 julho, 2026
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OBITUÁRIO: MORRE UM ÍCONE DO MERCADO MUNICIPAL

Mário Shigemitu Yamasaki (1955-2020)

Foto: Divulgação

Por Raul Urban*

A apenas um mês das comemorações do 62º aniversário do Mercado Municipal de Curitiba, a cidade perdeu, terça-feira, um dos ícones da casa, aos 65 anos, vítima de diabetes, e que soube difundir as qualidades de um dos mais tradicionais endereços de abastecimento alimentar. Mário Shigemitu Yamasaki, que nós, habitués do Mercado há décadas, carinhosamente conhecíamos como Mário Shige, e que no correr dos últimos anos presidiu a Ascesme (Associação dos Comerciantes Estabelecidos no Mercado Municipal).

COMEÇOU EM 1958

O Mercado MMM, um dos tantos boxes do velho e bom Mercado Municipal administrado por ele e sua irmã, Mituko, sempre foi um primoroso endereço para compras de hortifrutigranjeiros. Mário, na verdade, foi herdeiro de um empreendimento iniciado ainda pelos seus pais, desde agosto de 1958, quando o Mercado Municipal foi inaugurado pelo então prefeito, Iberê de Mattos, mais conhecido como General do Povo – dada sua popularidade.

PELAS MÃOS DE MUSSA

Conheci Mário ainda jovem, no correr da década de 1970. Frequentador do Mercado desde 1967, quando atraquei em Curitiba, vindo de Joinville, para cursar Jornalismo na antiga Universidade Católica do Paraná (e, não por coincidência, contemporâneo e colega de turma deste profissional brilhante que é Aldo Murá), foi pelas mãos do já falecido e sempre lembrado amigo, professor e então chefe de redação do já extinto jornal O Estado do Paraná, Mussa José Assis, que iniciei minhas andanças, em média uma vez por semana, pelos amplos corredores do Mercado com seu piso em cimento queimado abrigando as então primitivas bancas de madeira, onde encontrávamos absolutamente de tudo – como ainda hoje é praxe.

DIFERENÇA NO EXÓTICO

Afora legumes, verduras e frutas encontráveis em tantos pontos, o ponto de venda atendido pelo também jovem Mário se destacava pelos produtos até ali um tanto exóticos – cogumelos, iguarias orientais, óleos e temperos e/ou similares também até ali um tanto raros numa Curitiba habituada à tradição culinária ocidental.

FOI MODERNIZADOR

Mais que comerciante, Mário foi um líder que soube, no correr do tempo, agregar os comerciantes do Mercado; soube, com sabedoria, aproximar-se das diversas administrações municipais, sugerindo e dando toques de modernidade ao tradicional endereço com acesso principal pela Avenida Sete de Setembro.

DEIXOU SUA MARCA

Já à frente da Ascesme, ainda no correr dos anos 1990, quando o Mercado sofreu duas importantes inovações arquitetônicas de porte, Mário esteve à frente da iniciativa, dialogando com os técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) – época em que o arquiteto Nereu Barão liderou essa renovação arquitetônica. De Omar Sabbag a Rafael Greca, ou seja, desde 1968 até hoje, nosso Mário Shig deixou sua marca com o sorriso estampado em meio ao corre-corre e o atender com qualidade na casa que simboliza a excelência em qualidade alimentar – seja nas quase 100 bancas no pavimento térreo; seja nas variedades gastronômicas servidas na praça de alimentação.

Foto: Luiz Costa / SMC

TEMPLO DA QUALIDADE

Três ou mais gerações de curitibanos ou mesmo curitibanos adotados – como eu – fizeram do Mercado um templo de consumo de alta qualidade. Com o desaparecimento do nosso Mário Shig, a casa perde um pouco de seu brilho, mas guarda os valores e a memória de um tempo áureo. Quantos jornalistas, políticos, intelectuais e mesmo gente do povo não confabularam segredos, objetivos e projetos no Mercado, quase sempre tendo Mário como testemunha ocular da história e ouvinte atento? Nosso preito a quem soube preservar esses momentos e agora nos deixa.

HISTÓRIA PERSEGUIDA

A história e a memória do Mercado Municipal estão anotadas em documento deste que aqui escreve, guardadas, e que teve em Mário ou depoente importante.O documento, sujeito a revisão e atualizações, porque produzido a partir de 2003, quando lotado na assessoria de imprensa da então Secretaria Municipal de Abastecimento, aguarda um editor. Lotado na Secretaria da Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba, de 1993 a 2017 – antes, de 1976 a 1986, na Assessoria de Imprensa do Ippuc -, fiz da antiga SMAb meu endereço por cerca de 4 anos (na gestão dos secretários Ubirajara Schreiber e Norberto Ortigara), quando, de perto, conheci o imenso e profícuo trabalho do agora saudoso Mário Shig. Nossos respeitos à família.

RAUL GUILHERME URBAN, escritor, jornalista, memorialista de Curitiba

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