O passo inicial do fascismo foi dado para o mundo, na Itália, pelo socialista e revolucionário Benito Amilcare Andrea Mussolini (1833-1945)
Benito Mussolini
Antenor Demeterco Junior (*)
Este regime proveio diretamente do intervencionismo de esquerda (“in” “O Fascismo”, p. 19, de Thierry Buron e Pascal Gauchon). No seu programa, pelo menos no programa, havia a previsão de um imposto extraordinário e progressivo sobre o capital, com aspecto de uma verdadeira expropriação parcial de todas as riquezas. Mussolini, com seu “socialismo herético”, teve seus primeiros êxitos entre “marginais”, futuristas, arditi (combatentes) incapazes de afazer-se à vida civil, sindicalistas revolucionários. Sua concepção totalitária de Estado não admitia que nenhuma organização, quer política, quer moral, quer econômica subsistisse fora das suas malhas.
POPULISTA À ESQUERDA
Recentemente, um populista de esquerda, em nossa paróquia, saudou o vírus mortífero que assola o mundo como um poderoso instrumento capaz de trazer a revalorização do Estado e de suas malhas. O fascismo admite um leque de tendências, existindo fascistas de esquerda, sonhadores com uma ditadura dos despossuídos (“Fascismo um alerta”, p. 17, de Madeleine Albright). Se Mussolini, inicialmente, teve o apoio de ordas de desajustados, no nosso país grupelhos marginalizados passaram a investir contra o patrimônio público e privado, atentando contra a riqueza nacional. É de se invocar a lição do guru da esquerda universal, quando ele se refere ao que chamou de lumpemproletariado.
LIXO DAS CLASSES
Ou seja, ao “lixo de todas as classes”, a “uma massa desintegrada” que reúne indivíduos arruinados e aventureiros egressos da burguesia, vagabundos, soldados desmobilizados, malfeitores recém saídos da cadeia, batedores de carteira, rufiões, mendigos”, etc. Há muita semelhança do lumpemproletariado focado pelo marxismo com os torcedores “organizados”, drogados ou não, que destroem a riqueza alheia, insatisfeitos com sua auto condenação à pobreza. Esta gente não percebe que, além de manchar a reputação de times tradicionais, anarquizando estão a chamar exatamente o que não querem: o reforço da autoridade política. Chamam intervenção militar, não para o golpe invocado pelos saudosistas, mas para o patrulhamento das ruas de nossas cidades, que não podem ser entregues a anarquia. A desertificação econômica que foi imposta ao país gerará milhões de desempregados, que buscarão a subsistência de qualquer modo.
ABERTOS À DEMAGOGIA
Uma massa de seres, disponíveis para a retórica de algum demagogo espertalhão, pleno de “libido dominandi”, ávido da cadeira presidencial. Tudo indica que a luta contra o fascismo deve ser travada em outra quadra, não contra os saudosistas do governo militar da época da Guerra Fria. Estes parecem ser inofensivos. Muito pior para as instituições é a turba que quebra, acobertada por uma bandeira nobre, a defesa de um povo que se sente humilhado pelo branco em seu dia a dia, mas praticando ações vis. Turbas, historicamente, são a ponta de lança do fascismo.
Curitiba, 8 de junho de 2020.
ANTENOR DEMETERCO JR. (*), desembargador aposentado do TJPR; advogado; especialista em História do Século 20