quinta-feira, 23 julho, 2026
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VÍDEO-VERDADE (no final do texto): As Terezas Cristinas e nosso desenvolvimento agropecuário

Por Evaristo de Miranda
(Terraviva – 22/05/2020)

Herdamos muito das culturas, das medidas rurais e das maneiras de cultivo e criação legados pelos árabes aos portugueses e espanhóis, durante os seis séculos de ocupação da Península Ibérica após o Descobrimento. Durante seu reinado, Dom Pedro II fez três grandes viagens internacionais, onde visitou Líbano, Síria, Palestina e Egito.

Pedro II era poliglota. Escrevia, lia e falava árabe. Em 1876, em sua viagem ao mundo árabe, D. Pedro II fez reuniões, encontros e palestras sobre o Brasil, em árabe, foi destaque na mídia local e incentivou a emigração para nosso país.

 

REGISTROS DIÁRIOS

O imperador sempre fazia registros diários de suas experiências em escritos, desenhos de próprio punho e fotografias. O grande álbum de fotos “Collecção D. Thereza Christina Maria” é considerado o maior acervo de um governante no Século XIX.

Defensor de uma agricultura familiar, D. Pedro II estabeleceu acordos com monarquias da Prússia, Áustria, Rússia, Polônia e até do Japão, de modo a favorecer a vinda de agricultores para o país. D. Pedro II concedeu terras a esses imigrantes num modelo de colonização e assentamento cujo sucesso tem muito a nos ensinar até hoje. Seu impulso à imigração deu certo. Atualmente, a comunidade de origem libanesa no Brasil é maior do que a população do próprio Líbano Quatro anos depois da viagem de D. Pedro II, em 1880, aqui aportavam as primeiras levas desses imigrantes árabes. E, como eles, vieram também os imigrantes europeus de diversas nacionalidades e do Japão, tornando-se a base da agricultura e da agroindústria modernas e até da expansão do agronegócio.

Além da agricultura, as famílias de origem libanesa ainda se destacaram em diversas áreas. A Câmara de Comércio Brasil-Líbano expressa o vigor da contribuição libanesa ao desenvolvimento social, cultural e econômico do Brasil.

 

A OUTRA TEREZA

Agora, outra Tereza Cristina vai a reuniões em missões comerciais aos países árabes, empreendendo um esforço extraordinário para ampliar o comércio e as exportações do agronegócio brasileiro. Trata-se da engenheira agrônoma, empresária, deputada federal e atual Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina Correa da Costa Dias. Ela dá continuidade aos esforços de seus antecessores, tendo obtido resultados significativos.

 

MAIOR PARCEIRO

Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em 2019, o bloco dos países da Liga Árabe comprou US$ 12,2 bilhões em produtos brasileiros, uma alta de 6,3% em relação a 2018. A Liga Árabe tornou-se o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China (US$ 65,4 bilhões) e dos Estados Unidos (US$ 29,5 bilhões).

Quase um século e meio depois da viagem de D. Pedro II com a imperatriz Thereza Christina, a missão continua: a atual Ministra da Agricultura Tereza Cristina e sua equipe atuam como diplomatas divulgadores do Brasil e de sua agropecuária, junto aos países árabes e por toda parte.

Com êxito: o Brasil já é o celeiro do mundo!

 

Vídeo: https://tvuol.uol.com.br/video/as-terezas-cristinas-e-nosso-desenvolvimento-agropecuario-04024D1B376AE4B96326

 

(*) EVARISTO EDUARDO DE MIRANDA, Engenheiro Agrônomo, tem mestrado e doutorado em ecologia pela Universidade de Montpellier (França). Com centenas de trabalhos publicados no Brasil e exterior, é autor de 45 livros, incluindo Tons de Verde (português, inglês e chinês). Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária desde 1980, participou e coordenou mais de 40 projetos de pesquisa e implantou e dirigiu três centros nacionais de pesquisa. É um dos diretores do Instituto Ciência e Fé de Curitiiba. Atualmente é chefe geral da Embrapa Territorial, em Campinas, SP.

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