Por Antenor Demeterco Junior (*)
Escrevi recentemente um artigo, em 6 de maio, com o título “A nau dos insensatos”, no qual arrisquei bancar o profeta. O inquérito aberto por suposta influência do Presidente da República na Polícia Federal, profetizei ali, iria para o arquivo por não haver elementos para instaurá-lo. Vi no bojo do mesmo o acender do pavio de uma crise política, intencional ou não. Deu-se publicidade ao inquérito, melhor, não ao inquérito, mas ao posicionamento político de seu relator.
Ameaçou ele militares, desnecessariamente, com condução coercitiva para depoimentos. Lembrou inquéritos realizados durante o Governo Militar, sem publicidade (qual a razão para isto?).

NADA A ACRESCENTAR
Foi liberado o vídeo de uma reunião pública presidencial, quando inconformismos foram expressados com palavras de baixo calão. Este vídeo nada acrescenta para apuração do eventual ato criminal do Presidente. Reuniões como estas não são raras entre homens públicos, com xingamentos censuráveis, só que não são publicáveis. Permanecem nas entranhas do poder em Brasília. Chama a atenção a publicação quase integral da mesma, com o potencial de crise que traz. Qual a razão da exposição do vídeo, cujo interesse para o inquérito parece ser nulo? É fácil concluir: mostrar desavenças com governadores dos dois mais importantes Estados brasileiros, hostilidades a ministros do Supremo Tribunal Federal, palavrões que não honram, suspeitas de nosso maior cliente comercial.
QUEM CALA, CONSENTE
Nenhum dos presentes à reunião discordou dos arroubos presidenciais. Quem cala consente, na expressão antiga. Ninguém presente ali, tem condições de usar a reunião da qual participou para finalidades outras. Apreendi como ex-magistrado que quando se silencia na ocasião em que há manifestação ou não manifestação, esta conduta tem efeitos. Colocar o país à deriva, nesta ocasião virótica desastrosa, está atendendo esta conduta a certos interesses não recomendáveis, acredita-se que inconscientemente, estão dando vassouras às bruxas.
Quem viver verá!
Ano da graça de 2020, maio 23.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, ex-magistrado.
