sexta-feira, 24 julho, 2026
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OPINIÃO DOS OUTROS: A nau dos insensatos

Operadores do Direto aprendem já na faculdade que o inquérito policial se presta a apurar a prática de infrações penais e apontar a autoria das mesmas.

Antenor Demeterco Jr.

Antenor Demeterco Junior (*)

Aberta a investigação sobre a alegada intervenção presidencial na Polícia Federal, reconheceu o denunciante, o ex-juiz Sergio Moro, que o Presidente Jair Bolsonaro não cometeu crimes.

Suas declarações são cheias de circunlóquios e se auto desestabilizam.

Moro não é, no caso, autoridade para definir a atuação criminal ou não do Presidente, no episódio, mas é extremamente preparado para fazê-lo: expôs as vísceras do complexo político-empresarial que saqueou o dinheiro público de forma bilionária.

Transformou-se possivelmente, no mais importante magistrado da história recente do Brasil.

 

NÃO HÁ CRIME?

Se o acusador alega que inexiste crime, parece que não há condições para o prosseguimento do inquérito instaurado.

O próprio Ministro do Supremo Tribunal Federal parece estar vendo as coisas como elas são, ao quebrar o sigilo do inquérito, e aproveitar a oportunidade para arengar sobre o autoritarismo militar do passado e seus inquéritos sigilosos.

E para constranger respeitados generais com ameaças de condução coercitivas, para o caso de não atendimento a convocações.

Não sei se fez a mesma ameaça aos policiais que serão intimados.

O pivô da crise, o delegado exonerado, está dando uma grande lição ao país.

Homens públicos quando abandonam cargos tem de ser discretos em momentos movediços, sob pena de alimentarem crises que põem em xeque nossas frágeis instituições.

 

NÃO SOU PROFETA…

Não quero ser profeta, com a possibilidade de afundar no vazio do engano, mas tudo indica que o inquérito em foco resultará em nada, e caminhará para o seu destino certo, o arquivo.

Seus efeitos não serão jurídicos, mas meramente políticos, parindo uma crise menor no seio de uma crise virótica gigantesca.

Para finalizar, devemos perguntar se o amigo do amigo afastado da direção da Polícia Federal será ou não afastado judicialmente do cargo.

Saúde a todos.

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado; desembargador aposentado do TJPR; estudioso da História do Século 20.

Sérgio Moro (Foto: O Antagonista)
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