Com a sobrinha Tatiana, o marido, e os filhos do casal, sobrinhos-netos.
Com a sobrinha Tatiana, o marido, e os filhos do casal, sobrinhos-netos.
Um universo de gente inteligente, professores do Departamento de Genética da UFPR, especialmente, está muito triste: morreu Maria Angelina Canever de Lourenço, 77 anos, Mestra em Genética, ex-diretora daquele departamento, cientista com muitos artigos publicados em jornais e revistas indexados.
Sua morte (ataque cardíaco), assim como a de tantos milhões de outros que não pertencem ao showbusiness, à política, ao esporte, à nova realidade dos “influencers”, poderia passar em brancas nuvens nestes dias de pandemia, quando sequer conseguimos nos despedir dos nossos defuntos queridos. Afinal, qual a importância que a sociedade e governos dão aos professores de quaisquer níveis?
Amigos geneticistas estão preparando manifestações que, nestes dias de reclusão, farão chegar online a amigos, familiares e ex-alunos de Angelina, catarinense, natural de Orleans, que em 1970 resolveu mudar-se para Curitiba para fazer Mestrado em Genética Humana na UFPR, onde, depois de concurso faria uma carreira de competência no magistério; ministrou naquela universidade, ao longo de sua carreira, diversas disciplinas ( durante muitas anos, também para alunos de Odontologia).
ATIVA EM PESQUISA
Contam-me amigos de Angelina – a qual por vezes esteve em nossas reuniões do Instituto Ciência e Fé de Curitiba -, que ela participou ativamente de projetos de pesquisa do Laboratório de Polimorfismo e Ligação, dividindo, ao mesmo tempo, seus conhecimentos em artigos referenciais que publicaria.
Para Eleidi Chautard Freire-Maia, que um dia me apresentou Angelina, a grande marca da mestra foi sua “silenciosa generosidade”, traduzida, por exemplo, na adoção que fez de 3 sobrinhos que perderam os pais em acidente.
As crianças alegraram e completaram a vida da celibatária Angelina, mulher de fé religiosa (católica), e cultora de traços fortes de suas raízes italianas. Um deles, o de não dispensar um vinho de qualidade, além das amplas dissertações que prazerosamente fazia sobre seu maior hobby – as viagens mundo a fora.
Tatiana, Marcelo e Cristiane, os sobrinhos-filhos, foram praticamente os únicos na despedida da tia e mãe, no domingo, em Orleans, a terra natal de Angelina.
Maria Angelina em várias ocasiões
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DEPOIMENTOS DE ELEIDI E ANDYARA
Eleidi Chautard Freire-Maia
A partida de Maria Angelina deixou um vazio. Um grande vazio. Felizmente, muitas lembranças alegres e carinhosas ficaram.
Nosso encontro aconteceu nos anos 70, quando Angelina foi minha aluna e primeira orientada no curso de mestrado em Genética da UFPR. Em seguida, prestou concurso para professora e nos tornamos colegas.
Por duas décadas, tive o prazer de trabalhar com Angelina em projetos de pesquisa sobre Genética Humana. Foi minha primeira colaboradora e serei sempre grata ao seu apoio, oferecido com muita eficiência e valiosa amizade.
Sempre admirei sua determinação e entusiasmo, bem como a afetividade e alegria que demonstrava com amigos e familiares. Fizemos várias viagens juntas. Angelina amava viajar e chegou a conhecer meio mundo.
Agora, com serenidade e confiança, segue em viagem.
(Eleidi Chautard Freire-Maia, professora, doutora, aposentada do Depto. de Genética da UFPR).
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DEPOIMENTO DE ANDYARA MARIA MUNIZ REBACK
“ELA TINHA UM DOM ESPECIAL”
Maria Angelina tinha um dom especial, entre inúmeros outros, o de abraçar família e amigos encantando-os com seu sorriso.
Apesar de bastar por si só este encanto para dizer da falta que fará, sobram razões pra saudade. A boa conversa, com muitas histórias pra contar, de família e viagens, as comidas deliciosas – frango com polenta, torta salgada, salada de repolho, os bolos e muitas outras receitas com as quais nos deliciou.
Por um bom tempo, com alguns amigos, grupo de 6 ou 7 ou 8, nos encontrávamos aos domingos pra exercícios, exercícios de raciocínio, jogando mexe-mexe, um jogo de cartas instigante. Angelina vencia com frequência em razão de muita habilidade, estratégia e sorte, é claro.
Há alguns anos começamos a anotar os resultados. Angelina foi campeã em 2018. Foi premiada com um pedido de jantar a sua moda, bem italiana, regada por um belo tinto – não poderia ser diferente.
Sua história estava registrando e transformando em livro que teremos, provavelmente, a satisfação de degustar.
E o gosto por viajar. O mundo parecia pequeno quando registrado em imãs que colecionava em um quadro em destaque na cozinha de sua casa.
Das viagens Angelina colecionava memórias e imãs – não sei se comprava qualquer outra coisa – penso que não sentia falta de mais nada, penso que os imãs eram uma maneira divertida de relembrar os lugares por onde passou.
Coincidentemente também trabalhei durante muitos anos na Procuradoria Federal da UFPR enquanto Angelina era professora por lá. Mas não nos conhecemos neste período, mas sim alguns anos depois de nossa aposentadoria. Chego a imaginar que teria viajado muito mais se tivéssemos mais alguns anos de convívio. Fizemos uma belíssima viagem à Croácia, Sérvia, Montenegro … e recentemente à Rio Quente.
Angelina é uma grande mulher. Viveu suas missões com coragem, integridade e responsabilidade. Deixa saudade e sua marca em todos que tiveram o privilégio de estar com ela.