quarta-feira, 15 julho, 2026
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NOVAS SANDICES OFICIAIS

Dante Montovani: nada presta; Rafael Nogueira: monarquista na Biblioteca Nacional

Por Fabio Campana

A temporada do espanto não tem fim. Pasmem. Bolsonaro nomeou dois novos gestores da cultura ligados a Olavo de Carvalho, estapafúrdio guru ideológico do governo. Para a Fundação Nacional de Artes (Funarte) foi nomeado o maestro Dante Mantovani, que em canal no Youtube endossa várias teorias da conspiração, como a de que o governo americano teria distribuído drogas sintéticas a jovens nos anos 1960 graças a agentes soviéticos infiltrados.

Já o novo presidente da Biblioteca Nacional é monarquista e defendeu a agressão do jornalista Augusto Nunes ao colega Grenn Greenwald. Num canal com quase sete mil internautas inscritos no Youtube, o novo presidente da Funarte se propõe a falar de música clássica, mas constantemente descamba para teorias da conspiração.

Ao desqualificar os predicados musicais do rock, por exemplo, dispara:

“O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo”.

Ele também defende que o rock, em geral, não pode ser classificado como música, mas diz que, apesar disso, gosta de duas bandas do gênero. A norte-americana Metallica e a brasileira Angra, ambas representantes do gênero heavy-metal. “Rock é muito bom quando você está dirigindo e te dá aquele sono”, avalia ainda.

Mantovani critica ainda o festival Woodstock. “Woodstock foi aquele festival da década de 60 que juntou um monte de gente, os hippies fazendo uso de drogas, LSD, inclusive existem certos indícios de que a distribuição em larga escala de LSD foi feita pela CIA [agência de inteligência do governo americano]. Mas como pela CIA? Tinha infiltrados do serviço soviético”.

O nomeado para presidir a Biblioteca Nacional, Rafael Alves da Silva, que se identifica como Rafael Nogueira nas redes sociais, é um apaixonado pelo monarquismo e saudoso do período em que o Brasil seguiu o regime.

As nomeações publicadas nesta segunda no Diário Oficial da União (DOU) são responsabilidade do chefe da Secretaria Especial da Cultura, Roberto Alvim, que tem feito uma série de contratações polêmicas para os órgãos pelos quais é responsável.

Na semana passada, ele nomeou para a Fundação Palmares o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo.

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