Jaime Lerner, nos 50 anos de sua revolução urbana, poderá ser o próximo. Dalton Trevisan, 94, também está na pauta da Educativa.

Passados os momentos de naturais adaptações ao novo Governo, a TV Educativa do Paraná vai preparando uma série especial de documentários sob o título geral de “Memórias Vivas do Paraná”.
Nada mais esperável de uma televisão garantida pelo erário do que valorizar nossa herança cultural.
A ideia é está embutida no nome da série, a de “recolher a vida e obra de homens e mulheres singulares, e homenageá-los agora, não esperar pelo futuro”, explica à coluna o secretário de Comunicação e Cultura do Paraná, jornalista Hudson José, ao qual está afeta a TV Educativa.
Essa explicação de Hudson José veio a propósito de minha indagação sobre amplo e detalhado levantamento da vida e obra do meu dileto amigo (de minha geração), o pintor e professor de belas artes Fernando Calderari.
OLHAR PROFUNDO
Técnicos e jornalistas, seguindo pauta estabelecida por Hudson, inseriram o pintor Calderari (da chamada geração dos anos 1960 de artes plásticas) em realidades muito fortes do Paraná. Uma delas, a própria cidade da Lapa, a chamada Legendária, onde nasceu, berço de heróis (Revolução Federalista) e de nomes históricos do Estado, como o ex-governador Ney Braga, o modernizador do Paraná.
A ESTRÉIA
Calderari deambula, no documentário, – em data de estreia a ser anunciada -, em realidades eloquentes, como o casario, a Praça da Matriz, o Teatro São João, o rico patrimônio elizabetano, sem deixar, claro, de inserir-se também em paisagens como o Morro do Monge e o monumento dos heróis tombados no Cerco da Lapa.

GRANDES MESTRES
O documentário, que pretende ficar aberto a temas de levantamento de nossas “memórias vivas do Paraná”, mostra o artista referindo-se a seus grandes mestres, como De Bona, Nísio, Lopes, Viaro. Relata momentos únicos.
Com forte olhar retrocognitivo, focado em especial na Escola de Música e Belas Artes (então na Emiliano Perneta) da qual ele seria, anos depois, professor acatadíssimo, o depoimento de Calderari é aula de história no mundo das artes.
GALERIA COCACO
O documentário dá ênfase igualmente a um Fernando Calderari responsável por momentos únicos na vida de Curitiba dos anos 60/70, no enorme centro cultural e de artes de então, a Biblioteca Pública do Paraná; o trabalho mostra o artista mergulhando no dia a dia de um centro artístico único, a falecida Galeria Cocaco, onde desabrocharam nomes como Helena Wong, João Osório Brzezinski, Rubinski, Waldemar Rosa, Juarez Machado… Isso sem esquecer o Centro Juvenil de Artes Plásticas, que Viaro dirigiu e de lá fez um viveiro de talentos.

AINDA BAMERINDUS
Depois do Projeto Memória Paraná, que o extinto Bamerindus realizou por 10 anos – com perto de 250 entrevistas em áudio e vídeo (e do qual fui entrevistador com Luiz Geraldo Mazza, Aramis Millarch, Hélio Puglieli, Renato Schaitza, João De Deus Freitas Neto), e que devem estar no acervo do MIS -, este é a melhor notícia desse capítulo.
Isso sem deixar de ressaltar episódios maduros, isolados, como as ações de Luiz Renato Ribas e Wasyl Stuparyk de preservação também da memória paranaense em audiovisuais.
