sexta-feira, 10 julho, 2026
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GABRIELA HARDT, A QUE CONDENOU LULA, GANHA MAIS PODERES

Gabriela Hardt: novos espaços

Severa, juíza Gabriel Hardt ganhou os holofotes nacionais quando, ano passado, proferiu a segunda condenação do ex-presidente Lula, então como substituta da Décima Terceira Vara Criminal de Curitiba.

Uma “germânica que não mostra os dentes para as partes” – segundo a define um advogado criminalista que diz conhecê-la bem, Hardt cresce no universo da Justiça Federal: o juiz Luiz Antonio Bonet, titular daquela Vara, designou-a para despachar em conjunto com ele casos da Lava Jato.

Uma espécie de “joint venture”, pois.

ATÉ NOVEMBRO

O “up grade” vale até novembro. Mas poderá ser prorrogado. Tudo depende de acertos dentro do TRF da Quarta Região que, como os demais tribunais federais tem liberdade ampla para fazer tais procedimentos.

Hardt pode agora expedir mandatos de busca e apreensão, de prisão preventiva, quebra de sigilo fiscal e telefônico e/ou bancário. Pode também determinar intercepções telefônicas.

Luiz Antonio Bonet: boca fechada

SENTENÇA, NÃO

O resto – desde ouvir as partes e interrogar testemunhas -, incluindo a sentença, é privilégio do discreto Bonet, alguém que nasceu e se criou na Justiça Federal. Nela começou como simples auxiliar administrativo, trabalhando em arquivo.

Como em boca fechada não entra mosca, Bonet não fala quase nada. Mas se expõe em situações especiais: esteve em manifestações em Curitiba, com colegas, defronte a JF, contra o projeto chamado de Abuso de Autoridade.

De origem alemã remota, com bisavô e avô tendo papeis políticos em Indaial, SC, a juíza é natural de São Mateus do Sul, PR. Seu pai, engenheiro químico, trabalhava na Usina de Xisto da Petrobrás.

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LEMBRANDO ALGUNS MOMENTOS DA JUÍZA

  • Embates — Na abertura do depoimento, o ex-presidente questionou a juíza sobre a propriedade do sítio e ela disse: “Isso o senhor que tem que responder e eu não estou sendo interrogada nesse momento”. Com o passar do depoimento, Lula fez referências à apresentação de Power Point, feita em 2016 pelo procurador Deltan Dallagnol, com as acusações contra o mesmo no processo do tríplex do Guarujá, em que foi condenado em duas instâncias, e em determinado momento disse: “Eu, quando vi o Power Point, eu falei pro PT, se fosse presidente do PT, pediria pra que todos os filiados no PT no Brasil inteiro, prefeito, deputado, abrisse processo (sic) contra o Ministério Publico pra ele provar o Power Point”. Isso acarretou uma nova reação da juíza, que o acusou de estar instigando que partidários causassem tumulto no processo.
  • Michelle Bolsonaro com frase de juíza — No fim de dezembro de 2018, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, em desembarque no município de Itacuruçá, foi vista trajando uma camiseta com a frase: “Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”, fazendo referência a uma frase da juíza a Lula, no depoimento.
  • Condenação de Renato Duque — Em 19 de novembro de 2018, proferiu sua primeira sentença no âmbito da Operação, condenando Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras a 3 anos e 4 meses de reclusão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
  • Bloqueio de dinheiro de investigados — Em 24 de novembro de 2018, decretou o bloqueio de vinte milhões de reais de treze investigados no âmbito da 56.ª fase da Operação Lava-Jato.
  • Condenação de investigados da 46ª fase da Lava Jato — Em 30 de novembro do mesmo ano, condenou nove réus no processo derivado da 46.ª Operação da Lava Jato a penas variando de três a doze anos por terem recebido propinas em torno de 32 milhões de reais.
  • Não devolução de bens a Aldemir Bendine — Em decisão de 10 de dezembro de 2018, Gabriela negou a devolução de bens ao ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine. Conforme ela “não há como promover a devolução de bens de vultosos valores quando o requerente foi condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em ação penal correlata, e está sujeito à reparação do dano, pagamento de multa e custas processuais’. A juíza ainda deixou claro que não houve ‘comprovação da origem lícita dos bens apreendidos’. Bendine foi condenado por Moro, em março de 2018, a 11 anos de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
  • Repatriação de dinheiro de saldos de propinas da Odebrecht — Em dezembro de 2018, um pedido do Ministério Público Federal foi acolhido e a juíza autorizou que 46.405.971,07 reais bloqueados de contas de cinco delatores da Odebrecht, no Meinl Bank, em Antígua, fossem repatriados. A juíza mencionou na decisão que nove contas ligadas a eles movimentaram saldos de propinas.

(Da Wikipédia)

Aldemir Bendine, Michelle Bolsonaro, Renato Duque…
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