sexta-feira, 10 julho, 2026
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MORRE ADOLPHO, HUMANISTA QUE QUERIA ESTUDANTES AJUDANDO A GERIR O BRASIL

Adolpho de Oliveira Franco Junior (filho); Governador e senador Adolpho de Oliveira Franco (pai)

Adolpho de Oliveira Franco Junior, um curitibano de alma e coração, advogado, banqueiro, ex-deputado federal e diretor do antigo jornal Correio de Notícias, falecido na última terça-feira (30), aos 78 anos, vivia dizendo que a juventude estudantil (secundarista e universitária) deve retomar a sua participação na sociedade brasileira – isso dela foi retirado durante o regime de 1964. Para Adolpho, os estudantes devem ter assento nos conselhos políticos, econômicos e sociais, devem dar opinião sobre as questões nacionais e devem cobrar das autoridades ações concretas em favor do País. Isso tudo, segundo ele, existia antes de 1964. Ele citava o próprio exemplo: quando presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), no fim dos anos 1950, os jovens estavam envolvidos diretamente na vida cotidiana, desde os movimentos culturais até os protestos pelo aumento no preço da passagem de ônibus. A função do estudante, dizia, não é só estudar, “é também, participar”. E acrescentava: “o estudo dá diploma, a participação prepara para a vida”.

MAMATAS SINDICAIS

Outra preocupação de Adolfinho, como era carinhosamente chamado, foi registrada nos tempos em que ele atuou como deputado federal (1979 a 1983). Ele apresentou um projeto de lei, engavetado até hoje na Câmara dos Deputados, que proíbe a perpetuação no cargo dos dirigentes sindicais e das federações, sejam elas patronais ou de trabalhadores. Seu projeto previa apenas uma recondução. Ele queria a renovação permanente e a alternância no poder para oxigenar a política classista. “Infelizmente, o lobby desse pessoal foi mais forte”, costumava dizer.

NÃO ESCOLHIA CORES

Leitor incansável, Adolfinho gostava da política como poucos. Sabia ouvir e sabia falar – tudo no momento certo, na dose certa. Não escolhia cores partidárias: conversava com todos. “Os ensinamentos vêm de todos lados”, repetia. Herdou o dom e o gosto pela política do pai, senador (1963-1971), governador do Paraná (1955-1956), presidente do antigo Banco Comercial do Paraná e presidente da OAB/PR. E também do avô João de Oliveira Franco, do tio avô Manoel de Oliveira Franco, um político da república velha dos tempos de Afonso Camargo, e do primo Manoel de Oliveira Franco Sobrinho, político, professor, escritor e juiz federal, além do avô materno, Rivadávia Fonseca de Macedo , engenheiro civil e secretário da Fazenda e Obras Públicas de Manoel Ribas.

NEY BRAGA E LACERDA

Admirava dois políticos em especial: o ex-deputado, jornalista, e ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda e o ex-senador, ex-ministro e ex-governador paranaense Ney Braga. Admirava-os pela desenvoltura com que tratavam a política, pelos conhecimentos históricos e pela capacidade administrativa. “Tinham espírito público, o que falta atualmente”, repetia.

Apreciava o governo de Juscelino Kubistchek (1956-1961): “Naquela época havia planejamento, havia obras, havia desenvolvimento”.

BANQUEIRO E SEGURADOR

Além de deputado federal, Adolpho de Oliveira Franco Junior foi diretor do antigo Grupo Bancial (Banco Comercial do Paraná, fundado por Rafael Papa); da TV Paranaense -Canal 12, sendo sócio de Francisco Cunha Pereira Filho; e do jornal Correio de Notícias, que criou em sociedade com Manoel Rosenmann). Dirigiu o Sindicato das Empresas de Seguros do Paraná, presidiu a União Paranaense dos Estudantes Secundário (Upes) e foi vice-presidente do Clube Atlético Paranaense, na gestão de Aníbal Khoury.

UM UDENISTA

Em 1958, tornou-se membro do diretório estadual da União Democrática Nacional (UDN), cargo que ocuparia até a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965). Em 1977, cursou a Escola Superior de Guerra (ESG) no Rio de Janeiro. Com a extinção do bipartidarismo, em novembro de 1979, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), de apoio ao governo. Como deputado federal, foi membro da Comissão de Economia, Indústria e Comércio, da Comissão de Agricultura e Política Rural, e da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar as causas da elevação das taxas de juros em diversos setores do sistema financeiro nacional, além de ter sido suplente na Comissão de Finanças.

RETRATO DO PAI

É coautor do livro “Adolpho de Oliveira Franco – Advogado do Paraná”, que retrata a vida e a obra de seu pai, senador da República, governador do Paraná, presidente da OAB/PR, presidente do antigo Banco Comercial do Paraná (Bancial).

Adolpho de Oliveira Franco Junior deixa a viúva Regina Helena Rocha de Oliveira Franco.

(colaboração de Walter Werner Schmidt)

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