quinta-feira, 9 julho, 2026
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EXAMINANDO A OBSESSÃO POR UM MINISTRO RELIGIOSO NO STF

André Luiz Mendonça: ministro da AGU; Luiz Fux: um judeu presidindo o STF; Rosa Weber: sem denominação religiosa; Eduardo Cunha: mau exemplo da Bancada Evangélica

Não entendo até agora porque, numa democracia que apoia quaisquer manifestações religiosas dentro da Constituição, o presidente Jair Bolsonaro insista em ser identificado como católico romano.

Será por mero respeito à sua tradição familiar, em flexão também à mãe idosa? Ou porque não quer simplesmente “esquecer” os milhões de brasileiros (ainda maioria) que professam o catolicismo? Alguns desses, é verdade, ‘católicos de IBGE’, como também já ocorre com multidões de evangélicos ‘apenas para efeito de censo…’

NO RIO JORDÃO

Faço a observação porque é muito evidente que o presidente está vinculado aos movimentos evangélicos ultraconservadores, como os neopentecostais. E porque também se batizou publicamente por um pastor brasileiro nas águas do sagrado rio Jordão, em Israel.

E mais: Jair Bolsonaro quase que semanalmente, associa-se a cultos e manifestações evangélicos, sem falar na facilidade com que elogia a chamada Bancada Evangélica que, todos sabemos, não é fiel a muitos princípios do Evangelho, dado aos escândalos em que se envolveu (lembram-se do religioso deputado Eduardo Cunha?).

Por vezes, a mim me parece que tal bancada cultua, preferencialmente, o deus Mamon e seus muitos desdobramentos e interesses materiais. Dinheiro.

OBECECADO JAIR

No momento, o presidente Jair está obcecado por outra linha religiosa: quer, e insiste nisso, indicar alguém “terrivelmente evangélico” para o STF.

Ora, isso sugere um enorme retrocesso na história do Brasil, uma espécie de retorno aos tempos do Regime do Padroado, pelo qual o Império mantinha, a custa do erário, todo o aparato de serviços e obras da Igreja Católica, quando nem se podia enterrar mortos não católicos em certos cemitérios, sem falar que, no serviço público, e no judiciário, todos deviam reverências à Santa Madre Igreja. Mesmo que ateus.

No judiciário e em qualquer outro espaço público brasileiro não pode haver preferência a religiões.

É nossa marca democrática.

UM JUDEU NO STF

O STF vai ser dirigido nos próximos meses por um judeu, Luiz Fux, filho de refugiados europeus, brasileiro de enorme contribuição dada à justiça. Assim como é considerado judeu (filho de mãe judia), embora um ser declaradamente ecumênico, o ministro Luiz Roberto Barroso. Isso sem falar que Rosa Weber e Celso de Mello indicam não terem religião. Seriam ateus? Os demais ministros são católicos sem nenhum fanatismo. São ministros não por serem católicos. Não foram aparelhados no Supremo por igrejas, religiões, seitas. São ministros por serem íntegros e dotados de excepcional conhecimento jurídico.

ANDRÉ LUIZ É PREFERIDO

Na linha da presente obsessão do presidente da República por alguém “terrivelmente cristão” no STF (a ser nomeado em 2020), aparece o advogado geral da União, ministro André Luiz Mendonça, que é apresentado como pastor presbiteriano em Brasília (mas acredito que ele seja um presbítero daquela igreja, posição de auxiliar do pastor, cuidando de realidades materiais).

LEMBRAM DO PADROADO?

Jair Bolsonaro não cansa de elogiar André Luiz Mendonça. E o ministro da AGU é realmente alguém acatado por seu conhecimento jurídico e titulações, além de caráter. Mas, se escolhido for (direito do presidente), que o seja não por representar um pensamento religioso, o que, em si, contraria o espírito de escolha que deve marcar as nomeações no serviço público.

Afinal, tempos do Padroado já se foram, e deles a Igreja Católica – uma das 3 instituições mais bem acatadas pelos brasileiros, como as Força Armadas e a OAB – não deve guardar boas recordações Histórica.

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