quinta-feira, 9 julho, 2026
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CRESCE NÚMERO DE MIGRANTES E REFUGIADOS QUE BUSCAM RECOMEÇO NO PARANÁ

Em 2019, Centro de Informação para Migrantes, do Governo do Estado, registrou aumento de 85% nos atendimentos. Trabalho foi lembrado no Dia Mundial do Refugiado, celebrado nesta quinta-feira, 20 de junho.

 

Ney Leprevost, secretário da Justiça, Família e Trabalho do Governo do Paraná, registro aumento de 80% no atendimento de imigrantes

A busca de um novo começo para quem foge de crises econômicas e políticas, de ditaduras ou de guerras em seus países de origem tem crescido no Paraná. Só nos primeiros cinco meses de 2019, o Centro de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas, órgão vinculado à Secretaria da Justiça, Família e Trabalho do Governo do Paraná, já registrou mais de 1,2 mil atendimentos para mais de 30 nacionalidades, quase o dobro do que o registrado mesmo período de 2018, com 663 atendimentos.

O trabalho foi lembrado no Dia Mundial do Refugiado, celebrado nesta quinta-feira, 20 de junho.

“O número de atendimentos demonstra um aumento significativo, de 85%. Isso mostra o compromisso da nossa gestão em qualificar os atendimentos dos profissionais para receber as famílias que vêm em busca de uma nova vida, de novas oportunidades”, diz o secretário Ney Leprevost.

PERFIL E PAÍSES

De acordo com os dados da Secretaria, a maioria dos migrantes que chega até o Ceim-PR está na faixa dos 30 aos 59 anos e é formada por homens, que buscam trabalho, orientação para elaboração de currículo e para reinserção no mercado de trabalho.

As nacionalidades mais atendidas até agora, foram Haiti com 538 registros; Venezuela com 532 atendimentos; Cuba com 48; Colômbia com 19 e Marrocos com 11 atendimentos registrados só este ano.

“O aumento se dá devido a frequente chegada dos migrantes venezuelanos que entram no Paraná. Aumentamos também a divulgação dentro das redes locais e dos nossos canais de atendimentos e qualificamos nossos profissionais para o atendimento aos migrantes”, explica o coordenador da Política Pública dos Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná, João Guilherme Simão.

Dentre os países de origem de migrantes atendidos este ano estão também Afeganistão, Angola, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Cabo Verde, Camarões, Chile, Colômbia, Congo-Brazzaville, Costa do Marfim, Cuba, Egito, Espanha, El Salvador, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Haiti, Honduras, Iêmen, Itália, Japão, Jordânia, Líbano, Marrocos, Mauritânia, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Peru, Portugal, República Democrática do Congo, República Dominicana, Senegal, Serra Leoa, Síria, Tunísia, Uruguai e Venezuela.

OPERAÇÃO ACOLHIDA

Muitos vieram pela operação de acolhida integra o processo de interiorização de imigrantes venezuelanos, iniciada pelo Governo Federal no final de 2018, e é comandada pela Casa Civil da Presidência da República, Ministério da Defesa, Organização das Nações Unidas (ONU) e outros organismos da sociedade civil.

De acordo com dados da Força Aérea Brasileira, o Paraná é o quarto estado que mais recebeu migrantes venezuelanos, desde o início da operação, com 706 (10,8%), atrás do Rio Grande do Sul, com 1.129 (17,3%), São Paulo, 926 (14,2%) e Santa Catarina, 792 (12,1%).

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Cresce número de migrantes e refugiados que buscam um recomeço no Paraná. Em 2019, Centro de Informação para Migrantes registrou aumento de 85% nos atendimentos. Na foto, Yohana Boza Leon, 20 anos, advogada, que há um ano escolheu Curitiba para viver com seu marido Elesbet Sanches, 37 anos, nutricionista. (Foto: Divulgação SEJUF)

A SITUAÇÃO POLÍTICA ME OBRIGOU A DEIXAR TUDO PARA TRÁS

A situação política instável e, mais que isso, as ditaduras e desrespeito às liberdades individuais, têm sido um dos grandes motivadores de correntes migratórias pela América Latina.

É o caso de Yohana Boza Leon, 20 anos, advogada, que há um ano escolheu Curitiba para viver com seu marido Elesbet Sanches, 37 anos, nutricionista. Para sair de Cuba, tiveram que deixar o filho Kevin, hoje com quatro anos, morando com o avô. Aqui, tiveram mais um menino: Kelvin, de apenas três meses de vida.

Foi atrás de orientações para tirar o passaporte brasileiro do caçula é que ela procurou o Centro de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas.

Agora, com o nascimento de Kelvin, o casal pode tirar seus vistos permanentes no Brasil e realizar o sonho de trazer para cá também o filho mais velho. “Esperamos até novembro tê-lo aqui conosco”, deseja.

Além de trazer o menino, Yohana e Elesbet sonham também em poder atuar nas suas profissões. Atualmente ela está desempregada, e vai tentar revalidar seu registro profissional para voltar a advogar e, breve. Ele é nutricionista, mas está atualmente atuando como assistente de cozinha em um restaurante.

A escolha de Curitiba, porém, é considerada um grande acerto. “Gostamos muito da cidade e de ir aos parques, especialmente o Barigui. É um lugar muito bonito. O Tanguá também”.

Sobre seu país natal, o lamento de quem ama a terra onde nasceu, mas não tolera a falta de liberdade: “Em Cuba não temos direito nenhum. Você não pode enriquecer, pois tudo vai pro governo. Se você tem mais de duas casas, o governo fica com uma. Se você não aceitar participar do grupo político que está no governo, é considerado como antirrevolucionário”, conta.

“Depois da morte de Fidel Castro, esta situação apenas piorou, e a crise social também. Não adianta apenas ter dinheiro, porque não se consegue comprar comida”, diz. “É triste, porque lá você tem saúde, educação, segurança, mas não tem a mínima liberdade nem uma perspectiva de futuro.”

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