quarta-feira, 8 julho, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: O GRANDE CONLUIO

por Antenor Demeterco Jr. (*)

Olavo de Carvalho concluiu, com base em fatos reais e isolados, que existe um conluio geral mundial (não secreto), uma ofensiva generalizada para a mutação radical das estruturas de poder, da sociedade, da educação, da moral, e até das reações mais íntimas da alma humana (as palavras são dele).

GOVERNO MUNDIAL

Olavo de Carvalho; Darwin

Estaríamos, assim, caminhando inexoravelmente para a implantação de um “governo mundial”, de uma “administração planetária”, de uma “autoridade global” (globalismo).

O filósofo não aceita que sua “denúncia irrefutável” seja rotulada pejorativamente como “teoria da conspiração”, rótulo neutralizante e desmoralizante sem maiores considerações.

Sua denúncia não seria referente a “uma trama secreta com objetivos pontuais” (cf. “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, p. 337).

A denúncia de Olavo, queira ele ou não, é a de um conluio (para ele sem secretismos).

ATEUS, DARWINISTAS…

É interessante constatar que, anteriormente, acreditavam certos setores direitistas a partir do século XIX na existência de uma conspiração (esta secreta) envolvendo ateus, darwinistas, jesuítas, judeus, maçons, etc.

Este credo ingênuo (nascido na França de 1898 e divulgado na Rússia tzarista) teve consequências terríveis historicamente, resultando em perseguições e morticínios, em especial na 2ª Guerra Mundial.

IDEIAS OCULTISTAS

Parece que Olavo reciclou estas ideias ocultistas absolvendo alguns falsos protagonistas de ontem, criando outros (ONU, capitalistas, ex-comunistas, jornalistas de esquerda, a “elite globalista”, etc), tendo como objetivo final, também, a dominação mundial.

Vê entre as novas vítimas de um grande conluio o Estado de Israel e os Estados Unidos.

SISTEMAS & FUROS

O mérito, se é que há algum, é que este hipotético conluio não inclui a monomania do antissemitismo entre seus ingredientes.

Nenhum escritor ou filósofo merece credibilidade absoluta pelos sistemas herméticos que criam, pois estes todos apresentam furos.

Olavo é um crítico enérgico de conceitos e visões históricas assentes, e por isso merece ser lido.

Mas, no exame de hipotéticos conluios, secretos ou abertos, é mais recomendável examinar os fatos um a um, e não como um boneco Frankenstein que puxa e arrasta atrás de si toda uma transformação social, econômica e psicológica.

GRANDE PROBLEMA

Diante de um grande problema é melhor subdividi-lo em unidades menores, método sugerido pelo próprio Olavo com base em Aristóteles, Descartes e Leibniz, e mencionado no livro citado, p. 161.

O ROLAR DO MUNDO

Ação governamental que atua e endossa estas ideias entra em guerra com instituições como a ONU, a banca internacional (Bilderberg), grandes organizações da imprensa, com jornalistas esquerdistas, com professores e universidades, etc.

É impossível paralisar o rolar do mundo, mesmo que não se concorde com os termos deste rolar.

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado, desembargador aposentado do TJPR, especialista em História do Século 20.

Sede da ONU em NY
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