quarta-feira, 8 julho, 2026
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MALAN PEDE GOVERNO CONVINCENTE PARA REFORMAS

Malan com Scalco (foto: André Nunes)
(foto: André Nunes)
(foto: André Nunes)

“É preciso um governo coeso e convincente na relação com o Congresso para aprovação das reformas que o país precisa”, afirma Malan Ex-ministro da Fazenda no governo FHC (1995-2003) que lançou seu livro “Uma Certa Ideia de Brasil” em palestra promovida pela UniBrasil para convidados e associados do Graciosa Country Club

Com fala firme e jovial, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, 76, fez palestra na noite desta quarta-feira (15) para um seleto grupo de convidados e associados do Graciosa Country Club, em evento promovido pela presidência do clube de campo juntamente à UniBrasil, com apoio da Casillo Advogados e Solar do Rosário.

A palestra também marcou o lançamento, na capital paranaense, do livro mais recente do economista e engenheiro, “Uma Certa Ideia de Brasil: Entre o Passado e o Futuro”, com artigos reunidos no período de 15 anos após deixar o governo (2003-2018), que pontuam suas considerações sobre o cenário político-econômico brasileiro.

Entre os presentes, destacaram-se os ex-colegas de ministério, Euclides Scalco e Fernando Xavier Ferreira, além de advogados, economistas e profissionais de variadas áreas.

ENVOLVIMENTO DE FHC

Um dos pontos altos da fala de Malan, em relação à reforma da previdência, ressaltou a importância do envolvimento pessoal do presidente. “FHC soube montar times coerentes. Ele entendeu a importância das reformas e se empenhou para aprová-las. É preciso um presidente que atue de forma coesa e convincente. O Congresso tem antenas ótimas para captar indefinições e não aderir às votações, principalmente quando os temas são impopulares”.

A seguir, algumas considerações de Malan sobre os 15 anos analisados no livro, um panorama dos 130 anos da República – que serão comemorados no próximo 15 de novembro, tema do seu próximo livro, e recomendações que o estrategista econômico de Fernando Henrique Cardoso tem a fazer para o governo atual.

ARTIGOS REUNIDOS

“Lancei o livro em meados de 2018, reunindo os artigos que escrevi, mês a mês, ao longo dos últimos 15 anos desde que deixei o governo. Eu brinco que, durante os oito anos no Ministério da Fazenda, não tinha tempo para escrever, então terei que me dedicar com afinco caso queira recuperar esses ’15 anos anteriores a 2003′ em uma análise futura. Agora tenho obrigações, mas um dia escreverei sobre esse período”.

PASSADO E FUTURO

“Existe uma máxima que vale tanto para pessoas, quanto para nações: ‘quem não tem ideia de como chegou até aqui, dificilmente irá vislumbrar o futuro’. A História nos permite um diálogo infindável entre o passado e o futuro. Cada geração reinterpreta o passado de acordo com seus sonhos, expectativas e problemas. Devemos aprender com as lições e erros do passado”.

PRÓXIMO LIVRO

“O aniversário de 130 anos da República determina um período “redondo” para que possamos analisar as 13 décadas republicanas, sob a ótica econômica, jurídica e de políticas sociais. Tendo isso em mente, eu e o Edmar Bacha nos unimos nesse projeto de reunir 39 artigos – 13 economistas, 13 cientistas políticos e 13 advogados – para que se faça uma obra em que ‘o todo seja maior que a soma das partes’, por assim dizer”.

TRANSIÇÃO CIVILIZADA

“O período entre 2002 e 2003 foi marcado por muitas incertezas, diante da transição de governos que se aproximava. Mas podemos dizer que foi um processo civilizado, maduro institucionalmente, e que foi bom para o país. Meu sucessor, o ministro Palocci, não só manteve a política macroeconômica que vínhamos seguindo até então, como reuniu uma equipe competente: Marcos Lisboa fez um trabalho extraordinário, Murilo Portugal, o ‘vice’ de Palocci, além do próprio Joaquim Levy, posteriormente. Não houve rupturas até o momento de inflexão de 2006 e 2007, quando teve início a política expansionista”.

CRISE DE 2008

“A economia mundial cresceu absurdamente no período entre 2003 e 2008, até a crise que, para nós, só chegou com mais força no final de 2009 e início de 2010, ano eleitoral. Mas o Brasil ‘dobrou a aposta’, era uma fase de euforia em que se achava que ‘Deus é brasileiro’. A escala expansionista foi ampliada com o governo Dilma, fizeram uma nova matriz macroeconômica, expandiram as estatais. Até que o investimento externo caiu em 2013, e as tentativas de que a ‘demanda iria criar a oferta’ acabou se provando, mais uma vez, um erro histórico. Ainda hoje, nossa renda per capita está abaixo do que antes da crise”.

NOVE ANOS DE DÉFICIT?

“Hoje estamos no sexto ano de déficit que, provavelmente, durará até 2022. Ou seja, serão nove anos de déficit. Temos um problema fiscal sério, e uma população urbana que vem num crescente desde os anos 1950, o que amplia as demandas e respostas do poder público de forma absurda.

Estamos na corrida para ficarmos ricos antes de ficarmos velhos, o Brasil com certeza será um case para o mundo, seja de sucesso ou fracasso”.

DEMAGOGIA E REFORMAS

“Os últimos anos nos mostraram uma tendência mundial dos eleitores em seguirem promessas fáceis, de demagogos. E mentirosos, já que prometem e não entregam. Vimos isso na eleição do Trump, no Brexit, na Itália, na Hungria. A ideia de ‘take back control’ ou ‘make great again’ foi muito bem utilizada por essas lideranças. No cenário brasileiro, temos um dado alarmante: dos oito presidentes eleitos para o cargo no período pós-Segunda Guerra, sem contar os vices que assumiram, apenas quatro concluíram os mandatos: Dutra, JK, FHC e Lula. Os outros quatro não concluíram: Getúlio, Jânio, Collor e Dilma. E vou além: desde 1926, apenas três presidentes receberam o cargo democraticamente eleitos e passaram o cargo a sucessores eleitos. O último foi Lula. Não gosto de futurologia, mas uma coisa é certa: Bolsonaro irá desempatar esse placar de 4×4, de uma forma ou de outra (risos)”.

DEBATE EM 2022

“Perdemos a oportunidade de fazer um debate franco sobre o enfrentamento dos problemas do Brasil na eleição passada. Espero que isso não se repita em 2022″. Caso contrário, a situação se prolonga exaustivamente e colocamos em risco as décadas de 2030 e 2040”.

(Aroldo Murá Haygert, com colaboração de André Nunes)

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UNIVERSIDADE ALÉM DOS CAMPI

Clémerson Clève: ampliando presença da universidade (Foto: Annelize Tozetto)

A conferência da noite de quarta-feira no Graciosa Country Club foi mais uma prova concreta de quanto uma universidade de qualidade tem mesmo de sair de seus campi e ir em busca de outros ouvintes.

A fala do mais respeitado dos ex-ministros da Fazenda, Pedro Malan, foi nova oportunidade de reflexão e indagação de primeira qualidade promovida pelo Centro Universitário UniBrasil, criado e dirigido pelo constitucionalista e educador Clémerson Clève.

Clève não caminha sozinho, é certo: tem o apoio de Casillo Advogados e, especialmente, da diretoria do Graciosa Country Club, todos antenados com a importância de informar aos cidadãos sobre as realidades nacionais.

Por dever de justiça, tenho de registrar o papel executado pela professora Wanda Camargo e sua equipe, que faz todo o meio de campo vital entre os conferencistas e o grande público. Wanda, engenheira que já dirigiu o Depto. de Informática da UFPR é um dos melhores referenciais da UniBrasil. E, por último, mas não menos importante, registro a presença de Euclides Scalco, ex-ministro de FHC, como Malan, personalidade que, graças, conosco mantém acesa as propostas do Instituto Ciência e Fé de Curitiba.

(AMGH)

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