Por Tomás Eon Barreiros (*)

Numa democracia, a alternância de poder não é apenas desejável, é necessária. Não é saudável um mesmo grupo político ficar longo tempo no poder. A troca de um governo mais à esquerda por outro mais à direita (e vice-versa) faz com que algumas coisas que eram negligenciadas por um sejam valorizadas por outro, e assim, entre perdas e ganhos lá e cá, o país se equilibra.
TRAPALHADAS EVIDENTES
Apesar de todas as inúmeras e evidentes trapalhadas políticas do atual governo e de sua equipe cheia de pessoas com evidenciada incompetência (quando não com envolvimento em corrupção), estou esperando pacientemente as medidas concretas que possam efetivamente mudar algo na vida das pessoas.
Porque, ainda que o discurso dos atuais detentores do poder seja francamente antidireitos humanos e antiminorias, se a economia estiver bem, se o país conseguir um período de progresso que favoreça a todos, os mais necessitados podem se beneficiar (por exemplo, havendo maior oferta de empregos).
PSEUDOMORALISMO
Entretanto, até o momento, não vi acontecer nada além das trapalhadas e dos discursos pseudomoralistas ou subservientes aos países centrais, que só fazem piorar o clima.
E O CONCRETO?
As “medidas concretas” anunciadas nesta quinta (07) foram patéticas: acabar com as lombadas eletrônicas (para que todo mundo possa correr, matar e morrer à vontade nas estradas), gastar dinheiro para reimprimir inutilmente uma carteira de vacinação (quando o próprio presidente deu a solução: quem se sentir incomodado, basta rasgar uma ou duas folhas que não afetam o conteúdo principal do documento) e alterar o edital de um concurso para função média do Banco do Brasil que exigia preparação prévia do candidato em um curso contra o assédio.
‘DERRIÈRE’ ALHEIA
Fiscalizar a derrière alheia não melhora a situação de ninguém. Discurso moralista só serve para acalentar os “súcubos dos sentimentos mais escuros”, como disse Vinícius de Morais.
Ter um governo mais à direita num país com democracia estável não é problema. Problema é não ter governo nenhum. Onde estão as medidas que melhorarão as vidas dos brasileiros?
PS: Para piorar, foi esclarecido que não era uma carteira de vacinação, mas uma cartilha de educação sexual para adolescentes. Não querem que os adolescentes recebam educação sexual…
(*) Tomás Eon Barreiros, jornalista, professor universitário, doutor em Educação
