
Chamou a atenção o fato de o governador Ratinho Junior ter viajado para os Estados Unidos sem seu secretário de Comunicação Social, jornalista Hudson José, profissional de bom portfólio.
Isso é novidade mesmo, já que o comunicador oficial sempre foi visto, ao longo dos anos em que observo a vida do Palácio Iguaçu, como uma espécie de “alter ego” do Governador. Sempre foi imprescindível em viagens internacionais, não apenas como sinal de valorização do trabalho jornalístico. Até porque só especialistas no bem comunicar sabem dar seu recado em tais ocasiões.
USARAM E ABUSARAM
É verdade que alguns secretários de Comunicação usaram e abusaram da função, com ‘tiradas’ além do esperado. Foi o caso do ex-jornalista Deonilson Roldo, que, de tanto dizer-se e mostrar-se umbilicalmente ligado a Beto Richa, acabou por comprometê-lo nos lances das propinas por ele (Deonilson) pedidas a empreiteiros, segundo consta de acusação da Lava Jato. Segundo consta, fique claro.
DOS ÚLTIMOS ANOS

Mas outros, ao contrário de Roldo, se saíram à perfeição.
Posso dizer que dos secretários de Comunicação dos últimos 50 anos, dos mais notáveis foi Antonio Brunetti, jornalista com larga cancha em Economia e Finanças. Foi dos notáveis do governo Paulo Pimentel. Antes servira a Ney Braga, no Departamento Estadual do Café.
Antonio Luiz de Freitas foi inseparável das viagens locais e internacionais de Jayme Canet, e também foi um dos responsáveis pela ótima imagem do Governo de JC.
Outro que deixou marcas positivas, em viagens internacionais acompanhando seu governador (Álvaro Dias) foi Fábio Campana; Jaime Lechinski, também jornalista, foi a “sombra” de Jaime Lerner, igualmente em viagens internacionais, bem como dentro do PR e do Brasil.
Fez com que o melhor noticiário expusesse a viagem do governador ao país todo.
SENSIBILIDADE
Esse mesmo papel teve David Campos, como secretário CS de Lerner: ágil, grande sensibilidade para o fato jornalístico, sempre valorizou os imperdíveis feitos gerados por seu chefe, especialmente em internacionais, uma área que sempre foi de amplo domínio de Lerner.
Voltando a Lechinski: todos sabem, ele foi igualmente o eficiente “ghost writer” de Lerner, que a ele delegou um constante comunicar-se com veículos da mídia escrita local, nacional e internacional.
Jaime Lechinski foi dono de lógica argumentativa sem par, além de dotado de rara acuidade para as coisas do Paraná e sua gente. Tem texto com feliz casamento entre o essencial e o até poético.
Assim foi sempre o de Lechinski.
REDES DA BALBURDIA
O que se espera é que Ratinho Junior não faça opções privilegiadas pela novidade, como as chamadas redes sociais, hoje uma balbúrdia sem credibilidade e sem o aval da responsabilidade que só mídias tradicionais (escrita, sobretudo) têm no país. (veja-se o caso Bebianno, deslindado e desmontado pelas mídias tradicionais).
IMPRESSOS CRESCEM
Observe-se: o papel com que crescem os jornais O Estadão, Folha de São Paulo, O Globo, a revistas como Época e, gora, a renascida Veja, em tempos de crise. Enquanto as redes até podem cabular votos, mas carecem de estabilidade e do aval que as mídias tradicionais conferem.

