Prezado sr. Jornalista,
Sou aposentada da Prefeitura Municipal de Curitiba, e em 2017 passei por tudo que o Sr. Descreveu em um texto seu a respeito do ICS.
Assim, relato:
Com muita dor em quadril, perna e joelho direito procurei um ortopedista que me indicou cirurgia no joelho. Passei pela cirurgia e o quadro se agravou.
COMEÇA O CALVÁRIO
Procurei o cirurgião que tinha me operado que disse não ter conhecimento do que estava acontecendo e me encaminhou para uma jovem médica reumatologista, dra. Rita, que deu início a uma investigação.

CADEIRA DE RODAS
Eu, que me encontrava em cadeira de rodas, comecei os exames, iniciando pelos pés. Como nada foi encontrado até o joelho, e eu apresentava alterações significativas no exame de sangue, ela estava solicitando novos exames.
DRA. RITA FOI DESLIGADA
A médica Rita foi desligada do ICS, quando alguns exames meus ficaram prontos; não a encontrando, fui encaminhada a um médico ortopedista credenciado que se negou aceitar exames solicitados por outro profissional.
MUITO CORTICÓIDE
Tendo feito uso de muitos corticoides tive um alívio temporária na dor. (Denunciei a atitude do médico ao instituto, não resultando em nada.)
Quando retornaram as dores, procurei outro médico no instituto, que me olhando, em uma primeira consulta diagnosticou inflamação de ciático, receitando medicamentos e fisioterapia.
DIAGNÓSTICOS VARIADOS
Em nova consulta, diagnóstico de bursite de trocânter, sempre o mesmo médico. Não tendo melhoras sugeriu que eu tomasse os mesmos medicamentos que já não tinham surtido efeito, “pra ver se ia adiantar”.
UM TUMOR & LIBERAÇÃO
Não pediu nunca nenhum exame. Eu não queria mais procurar ninguém, porém meu filho insistiu que procurasse outro, e me levou a um credenciado, que atende no Hospital Vita.
Quando fiz o primeiro exame de quadril e coluna, que ainda não tinha sido feito nenhum, foi constatado tumor e doença metastática. Fui então encaminhada para o Hospital Erasto, pra um neurocirurgião oncológico.
CREDENCIADO?
Apesar de ter descontada normalmente de meu salário a mensalidade do ICS e o hospital ser credenciado, não tive liberado o internamento pra cirurgia e biópsia, pois o médico não é credenciado e eu “não tinha laudo comprobatório da necessidade de internamento naquele hospital”.
SÓ MEDIANTE AMEAÇA
Também foi assim quando tive solicitação do exame “petscan”. Passei por cirurgia, biópsia e exames iniciais através do SUS. E mesmo depois disso, várias vezes só conseguimos liberação de exame após falar em denúncia junto ao órgão federal competente.
DESCASO EXEMPLAR
Graças a Deus, apesar da metástase, terminei os ciclos de quimioterapia, estou bem, mantendo o controle necessário, mas caso o que eu passei sirva pra evitar que outras pessoas sofram o descaso, posso colaborar, inclusive com a cessão de cópia de prontuário.
“HOJE SOMOS SÓ NÚMEROS”
É terrível trabalharmos toda uma vida, contribuirmos, e na hora em que estamos mais carentes e fragilizados sermos tratados como meros números ou empecilhos em sua arrecadação e gastos inúteis desmedidos.
MARÍLIA POLI / poli.marilia1@gmail.com
funcionária aposentada da Prefeitura de Curitiba, que foi maltratada pelo ICS.
