
“Ratinho Junior não é mesmo de brincar em serviço”, crava um parlamentar da base do governo, sem se importar com o clichê que está “cometendo”.
Usa-o para registrar um dado importante: o governador eleito deu só três dias de folga para seu staff imediato que cuida da transição do Governo no amplo espaço da Vice-Governadoria, no Palácio Iguaçu.
A “folga” só vale para os dias 24, 25 e 26.
Depois, trabalho sem parar, até à posse, no dia primeiro de janeiro.
O clima “aqui se trabalha” – mote que Paulo Pimentel usou se apropriando de ordem da Itália dos anos 30 -, continuará no dia 2 janeiro, a partir das 7h30 min., quando Ratinho Junior inaugurará sua administração (e talvez uma nova linhagem na política paranaense): presidirá a primeira reunião do secretariado.
A posse no dia primeiro será mais curta possível, dando tempo ao novo governador para viajar a Brasília para a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro.
HERANÇA DE CIDA
Cida Borghetti está deixando o Governo do Estado com bom caixa para a administração de Ratinho Junior. E deixa também um exemplo de eficiência, tendo feito alguns “milagres” no curto mandato assumido em abril.
VETO DAS ELITES
Ratinho Junior, em quem muito pouca gente das chamadas elites culturais e sociais apostava (“o paranaense não aceitará ser governado por um ratinho”, diziam os opositores, como certos grupos do Palácio 29 de Março), agora está tendo que “engolir” o moço.
E ele, sabe-se, não costuma brincar em serviço.
Deu provas de consistente inteligência política ao comandar a SEDU no Governo Beto Richa.
EQUIPE TÉCNICA
Veja-se, por exemplo, a equipe que Ratinho Junior está montando, em que prevalecem técnicos de alto nível, boa parte, talvez, até avalizada pelos eficientes cabeças brancas que assessoram o novo governador.
RENATO FEDER
A escolha do secretário de Educação, o empresário e educador Renato Feder, é o melhor indicativo de que o novo governador quer mesmo iniciar o que poderíamos chamar de “nova linhagem política na vida paranaense”.
Ratinho tem gana política, ficha limpa, preparou-se tecnicamente, e sabe ouvir.
E, com o correr dos anos, foi-se fortalecendo cultural e administrativamente para ocupar o Governo.
NOVA LINHAGEM
Há consistência nessa expectativa de “nova linhagem” política, pois, certas lideranças que aí estão (como as instaladas no Palácio 29 de Março) já estão com quase 70 anos. E não têm fôlego e respaldo popular para ir à frente.
“Trata-se de gente que se escora numa visão ornamental do Paraná, com louvores altissonantes e em cima de muitas histórias mal contadas”, diz um professor de Sociologia da UFPR agora engajado com o novo governador, criticando “os de sempre”.
NÃO VOTEI NELE
Ratinho Jr.– em que não votei, esclareço de saída -, é a novidade que, parece, tem tudo para ficar, até mesmo inaugurando essa nova (e esperada) linhagem.
As linhagens anteriores, como as de Requião de Mello e Silva, Jaime Lerner (uma personalidade a quem o Paraná nunca deve deixar de agradecer pelo trabalho que fez), Ney Braga, Beto Richa, já estão fora de combate.
QUEM CEDO MADRUGA…
Agora, o curto descanso de 3 dias que Ratinho decretou à sua equipe que cuida transição, é sinal da gana com que o moço chega ao Palácio Iguaçu.
No dia 2 de janeiro, às 7h 30 min, o novo titular do Governo vai comandar a primeira reunião com toda a sua equipe. Uma reunião sem a grandiloquência e os foguetes e arrebóis que tanto marcam certos equivocados governantes.
Enfim, “habemus Ratinho Junior”.
