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SAQUE E VOLEIO: Thiago Wild, ambição, agressividade e apreço pela pressão: ‘Tem que gostar’

Alexandre Cossenza (Postado em 24-11-2017) 

Wild vitorioso nesta semana nos EUA
Wild vitorioso nesta semana nos EUA

O tenista Thiago Wild, 18, paranaense de Marechal Cândido Rondon, descendente de alemães oriundos do RS, pelos lados materno e paterno, é o campeão do Aberto dos Estados Unidos.

Ele ocupou os principais espaços noticiosos esportivos do final de semana. É filho de Cláudio Wild, que foi tenista profissional e hoje atua na Academia Tennis Route, no Rio, onde mora desde 2014. Nessa academia Thiago treina.

O jovem parece concentrar todas os seus interesses no tênis, mas se ouvir a mãe, uma ortodentista, deverá estudar Medicina.

Thiago tem dito que já se conformou: todos o chamam de “uaild”. Mas a pronúncia correta de seu nome, germânico, é “vild”.

A entrevista que segue foi dada por ele, ano passado, a Alexandre Cossenza. Ele já assinalava suas ambições para o ano de 2018, que acabam de se concretizar:

Dezessete anos, uma direita plana e agressiva, um belo saque e uma devolução de dentro da quadra. Não é a descrição padrão de um juvenil brasileiro, mas Thiago Seyboth Wild não tem nada de “padrão”. É ambicioso – quer estar entre os 200 com 18 anos – diz que não tem medo de pressão e que não vai ter paciência para ficar a vida inteira jogando Futures e Challengers.

Nesta semana, vindo de um título em um Future em Antália, na Turquia, Wild teve um convite para o Challenger do Rio de Janeiro e foi uma das atrações dos primeiros dias de torneio. Jogou duas vezes na Quadra 1, enquanto Rogerinho, número 1 do Brasil, se apresentava na escondida Quadra 3, de onde o público geral nem podia se aproximar.

Wild – cujo sobrenome originalmente se pronuncia “víld”, mas a família já se habituou a ouvir tanto “uíld” que nem corrige mais – deixou ótimas impressões pelo clube. Atual #637 do mundo, derrotou na estreia o cabeça 3, Nicolas Jarry (#99), que vinha de um título no Challenger de Santiago, e parou na segunda rodada, quando teve problemas físicos e abandonou diante do dominicano Jose Hernandez-Fernandez (#348).

Conversei com Wild na terça-feira, antes de sua estreia, e gostei muito do que ouvi, principalmente sobre seu jeito de encarar o circuito juvenil e sobre a postura em relação às expectativas em cima de sua carreira. Leiam e, quando puderem, vejam o garoto jogar.

Você acaba de vir de um título em Antália. Como anda a confiança?

Ah, não é tanto um título que importa para a minha confiança ou para a confiança de um tenista em geral. É como eu me sinto na quadra, e vem de um tempo já que eu estou me sentindo muito bem, então minha confiança está bem alta.

Ano passado, você jogou dois Challengers (perdeu os dois jogos que fez, em Santos e São Paulo). Está mais preparado para um torneio deste nível agora?

Eu me sinto muito mais maduro hoje numa quadra de tênis do que me sentia no ano passado, com 15 anos, tinha recém-feito 16. Acho que hoje eu vou encarar a situação de jogar um jogo importante, num torneio maior, melhor do que no ano passado.

Essa maior maturidade se reflete de que maneira na quadra para você?

Em entender melhor como o jogo tem que ser jogado. Em entender o que eu tenho que fazer em cada momento. Saber quando eu tenho que dosar mais a energia, quando tenho que ser mais agressivo… Eu gastava muita energia com coisas desnecessárias. Ficava pensando demais, ficava muito acelerado, muito nervoso… Não nervoso de tenso, mas nervoso de bravo mesmo.

Ainda quebra raquete?

Ainda quebro bastante raquete, mas acontece.

Hoje, você é #21 do mundo no ranking juvenil. Já foi #12. Eu li uma entrevista sua no blog do Daniel Castro em que você dizia que não se importa tanto com isso. Tem muita gente que quer jogar mais torneio juvenil para ter ranking melhor, chamar atenção, e atrair patrocinador. Qual é a filosofia da sua equipe em relação a essa transição para o tênis profissional?

Eu não joguei tantos torneios juvenis este ano, não dei tanta importância. Devo ter ganhado dois ou três. Tive bons resultados no juvenil, mas não foi uma coisa que… O juvenil não é meu foco, então essa colocação de que as pessoas buscam patrocínio, buscam ranking bom… Tudo vai depender do foco da pessoa no futuro. Eu não penso no juvenil, penso no profissional. Penso em virar top 100, em ganhar torneio, penso em ser um bom jogador profissional. Lógico que o juvenil ajuda, mas não vai te dar a mesma confiança.

O que você pensa para os próximos anos da carreira? Vocês estabelecem metas do tipo “quero estar aqui com X anos”?

Acho que o ranking e metas de torneios vão vir com trabalho, dedicação, mas é um processo. Cada um tem seu tempo de amadurecimento na quadra e no tênis. Tudo vai depender. Não sei falar como eu vou estar daqui a seis meses ou daqui a um ano.

Mas onde você gostaria de estar?

Terminar 2018 entre os 200.

NA WIKIPEDIA

Thiago Seyboth Wild (born 10 March 2000) is a Brazilian tennis player. He reached a career high ATP singles ranking of No. 474 on May 28, 2018 and a career … ‎ATP Challenger Tour and … • ‎Singles: 3 (2 titles, 2 … • ‎Doubles: 2 (2 titles)

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