
Quem quiser entender, em parte, o que significa diferença entre jornalismo profissional – feito por empresas jornalísticas e jornalistas eticamente responsáveis -, acompanhe o resumo da Folha de São Paulo, desta segunda. 27, assinada por Débora Sogur Hous:
A influenciadora digital (que se apresenta como jornalista) Paula Holanda, militante de esquerda, com cerca de 6.700 seguidores no Twitter, confessou que fora convidada, em troca de dinheiro, por uma agência mineira chamada Lajoy, “para promover conteúdos de esquerda”.
INFLUENCIADORES
Até aí Paula aceitou a autorização, seria coisa “normal” para certos influenciadores digitais. Assim, passou a escrever tuites favoráveis a candidatos do PT – Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, e candidata a deputada federal pelo Paraná, e Luiz Matinho, que concorre ao governo de São Paulo.
SÓ PARA PETISTAS
A luz vermelha – não foi um impulso ético – só acendeu quando Paula recebeu uma terceira demanda, dessa vez sobre Wellington Dias (PT) candidato à reeleição ao governo do Piauí. Foi aí, ao perceber que a propaganda (propaganda, não jornalismo) era exclusivamente para candidatos do PT, que ela desistiu da empreitada.
Se as tonalidades partidárias fossem outras, Paula não teria nenhum problema em tuitar nas redes.
Paula não faz jornalismo profissional. É influenciadora.
TUDO ÀS ESCURAS
De qualquer forma, os tuites de Paula não informavam que as opiniões eram pagas nem exibiam informação sobre políticos ou empresa que as contrataram.
Identificar a fonte pagadora é preciso, manda a fria lei da justiça eleitoral, que não se guia pela ética jornalística, mas quer saber de onde vem a grana para os chamados apoios.
Assim, políticos vão fazendo campanha, sob os olhos benevolentes de uma “fiscalização” que não existe.
A barbaridade não é privilégio do PT. Partes do centro e a direita andam frequentemente em caminhos parecidos aos dos petistas.
