terça-feira, 30 junho, 2026
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Pastor e pastora lideram identificação de candidatos

Pregando a Palavra
Pregando a Palavra

Um passeio diário pelos temas que mais frequentam o noticiário nacional nos leva a uma conclusão importante para a avaliação do ânimo e da alma brasileira: os fatos do dia a dia, ligados ao fenômeno religioso, são muitos. Trata-se de grande percentual à espera de ser avaliado por estudioso das ciências da comunicação de massa. O que me leva a sugerir que façam estudos acadêmicos sobre o assunto.

Quem se habilita?

VISITAR LULA

Arcebispo Dom Peruzzo
Arcebispo Dom Peruzzo

Exemplo dessa realidade: dias atrás, por exemplo, o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo, dentre as muitas audiências que concede diariamente a leigos e religiosos, além de autoridades, recebeu pedidos aparentemente insólitos para serem acolhidos num gabinete episcopal, ligados à política.

Um deles, pedia que o arcebispo fosse visitar Luiz Ignácio Lula da Silva, preso na Polícia Federal de Curitiba.

O fato acima ainda não foi noticiado, mas posso garantir que o arcebispo informou ao lulista que um padre da paróquia de Santa Quitéria já cuida da alma de Lula. O que é uma “boa notícia”.

O pedido apenas reforça essa realidade noticiável e registrável: a religião do brasileiro é de enorme presença no cotidiano.

PASTOR E PASTORA

Nesta terça, 21, leio no G1, em matéria bem trabalhada por Lucas e Rafaela, assegura que são 500 os candidatos que se apresentam às urnas usando títulos religiosos.

Os números são de levantamento do TSE, e revelam que muito mais do que a tão badalada bancada evangélica no Congresso, o fenômeno religioso envolve homens e mulheres que se apresentam como irmã, irmão, pastor, pastora, padre, bispo, missionário, missionária, apóstolo. E também mãe, pai, identificação de lideranças religiosas de matrizes africanas …

É a qualificação pastor/pastora, no entanto que tem o maior número de candidatos. Padres católicos romanos são muito raros, pois a Igreja proíbe que seus sacerdotes e religiosos consagrados se candidatem a eleições.

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Identidade grupal

Gabriela Figueiredo Netto, doutoranda em ciências políticas da USP
Gabriela Figueiredo Netto, doutoranda em ciências políticas da USP

Gabriela Figueiredo Netto – segundo o G1 -, doutoranda em ciência política na USP, explica que essa prática faz com que eleitores de uma determinada religião possam “identificar um candidato da mesma religião, produzindo um efeito de identidade de grupo”. “Teoricamente ambos se aproximam das mesmas ideias e dos mesmos interesses.”

O principal título religioso, diz a matéria do G1 – nos pedidos de registro de 2018 é o de “pastor” ou “pastora”, em 313 casos, seguido por “irmã” ou “irmão” (97) e “missionário” ou “missionária” (40).

Há ramos religiosos que não aprovam o envolvimento de seus membros com política: as Testemunhas de Jeovah e a Congregação Cristã do Brasil.

Os adventistas do sétimo dia não impedem que seus membros sejam políticos, mas não os patrocinam, nem permitem que o nome da igreja seja vinculado a qualquer candidato. Muito menos pastores ou qualquer outro oficial. Os pastores possuem vínculo de dedicação exclusiva ao evangelismo e “pastoreio” dos membros. Se desejarem ingressar na política deverão declinar das atividades religiosas.

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