terça-feira, 30 junho, 2026
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EM FOCO: O que é aporofobia e os perigos desse tipo de medo

Estamos condicionados a ver crime organizado, estupradores e traficantes de drogas onde existem pessoas pobres, diz arcebispo

Miriam Diez Bosch / Aleteia

Refugiados sírios
Refugiados sírios

Aporofobia é repugnância por aqueles que carecem de recursos, aqueles com necessidades: os pobres. Aporofobia significa aversão aos pobres.

Os linguistas retiraram esse neologismo – aporofobia – do contexto da antiga palavra grega “áporos” (pobre).

O termo “fobia”, embora possa ser usado como um verbo por conta própria, também funciona como sufixo que, quando adicionado a uma palavra, indica medo, ódio ou repulsa em relação ao que a palavra original designa.

A palavra “aporofobia” foi criada em primeiro lugar em espanhol, e mais recentemente passou a ser usada em outras línguas.

Santiago Agrelo Martínez, arcebispo de Tânger, Marrocos, é uma das vozes mais claras a favor de uma maior empatia e tratamento humano dos imigrantes e dos pobres em geral.

Em conversa com a Aleteia, ele diz que “é óbvio que, se uma palavra nasceu, uma realidade a precedeu; a realidade perturbadora e muito triste que é uma aversão aos pobres”.

“Aversão” é uma palavra apropriada, uma vez que aversão é um sentimento de repugnância.

“ESTAMOS INFECTADOS”

O arcebispo Agrelo afirma que nenhuma pessoa boa permitiria, em seu coração, sentimentos de repugnância e/ou ódio contra as pessoas apenas porque são pobres; no entanto, estamos infectados por esses sentimentos.

Estamos nos tornando desumanos? “Não penso assim”, diz o arcebispo.

ESTAMOS CONDICIONADOS

Arcebispo Santiago Agrello Martinez, de Tânger, Marrocos
Arcebispo Santiago Agrello Martinez, de Tânger, Marrocos

Mas o que é definitivamente verdadeiro é que “alguém nos enganou, e onde há pessoas pobres, fomos condicionados a ver uma ameaça à nossa segurança, um perigo à nossa saúde; onde há gente pobre, fomos condicionados a ver crime organizado, terroristas, estupradores, traficantes de drogas e ladrões; onde há pessoas pobres, fomos condicionados a ver imigrantes ilegais, pessoas em situações legais irregulares, pessoas que vivem clandestinamente e criminosos violentos”.

“Assim, a repugnância e o ódio contra os pobres – aporofobia – encontrou um álibi (o que é natural para nós é a repugnância e o ódio contra os ratos) que nos deixa com a mente tranquila e envenenada; estamos tranquilos e inconscientes, tranquilos e indiferentes diante de uma das maiores tragédias da humanidade”, ele denuncia.

TEM UM ÁLIBI

“Tenho muito medo de que a aporofobia, cultivada contra os imigrantes, vire-se contra nós sob a forma de ódio e desprezo por todos aqueles que são fracos, indefesos, vulneráveis… Escolha qualquer exemplo que você queira na área da família, da escola, da sociedade: há material para escrever um livro”, escreveu o arcebispo, um franciscano de Galiza, na Espanha.

VERDADE MACIÇA

Precisamos de “doses maciças de verdade, de autenticidade, de discernimento, de amor para com os outros, de amor pela vida, de amor pela terra. E isso não é um desejo aleatório ou apenas palavras superficiais.

Se há uma vida que [você acha que] não merece respeito, você já deu o seu motivo para não respeitar nada. Se há uma vida que você possa tratar com desprezo, você já justificou o desprezo por qualquer coisa. Você não pode oprimir os migrantes e ao mesmo tempo defender os trabalhadores. Você não pode abortar e defender o seu próprio direito à vida”, concluiu o arcebispo Santiago Agrelo Martínez.

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