segunda-feira, 29 junho, 2026
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Marina, Alvaro e Alckmin levaram a melhor

No primeiro debate, impera o clima de “mais do mesmo”

Os candidatos debatedores
Os candidatos debatedores

Como já se tornou tradição nos últimos 30 anos, a Rede Bandeirantes realizou o primeiro debate entre candidatos à presidência da República, na noite desta quinta (9). Dos 13 postulantes à vaga – incluindo o ex-presidente Lula em sua “chapa triplex” com Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, excluídos deste debate – oito candidatos estiveram presentes para debater propostas e se “apresentar” ao eleitor, em formato de 5 blocos e quase três horas de duração.

ALVARO E ALCKMIN

Claramente moldado pela “escola tucana”, Geraldo Alckmin preparou-se para as críticas que receberia, vindas de todas as partes. Alvo preferido de Ciro Gomes, Marina Silva, Alvaro Dias e até mesmo Henrique Meirelles – que disse que o PSDB chamava o Bolsa Família de “Bolsa Esmola” – o ex-governador paulista não parece empolgar o eleitorado.

Do debate, no entanto, ele saiu-se bem, fruto do seu longo caminho na vida pública.

SEM “RABO PRESO”

Em meio a um clima de “mais do mesmo”, pode-se dizer que Alvaro Dias levou vantagem ao mostrar seu preparo, sem “rabo preso” ou deméritos em sua trajetória como senador. Insiste no slogan da “refundação da República”. Disputando votos do centro e centro-direita com Alckmin, o paranaense leva vantagem no Sul do país – tanto que a escolha do tucano por Ana Amélia, do PP, como vice não foi a toa.

Não passou despercebida a segurança com que Alvaro aborda questões vitais, como combate da corrupção, organização da máquina administrativa, meritocracia – incisivo – distribui críticas a governos anteriores e nefastas políticas que levaram o Brasil ao estágio atual.

Nesse sentido, não perdoou nem Henrique Meirelles, que foi um condutor da política econômica de Lula.

MARINA E CIRO

No espectro da centro-esquerda e social-democracia, por assim dizer, percebi semelhanças no tom de Marina Silva – ainda “sonhática” e sem perder certo “ar angelical” – e Ciro Gomes, que claramente foi preparado por seu staff a não parecer truculento e falastrão. Estava contido e articulado, como de costume. Mesmo estando em sua terceira campanha presidencial, Ciro foi pouco questionado nos primeiros blocos.

MEIRELLES E BOLSONARO

Homem dos bancos e do mercado, Henrique Meirelles tentou mostrar que é experiente, capaz de servir a governos diferentes. Mas, segundo Igor Gielow, da Folha, bem apontou, “O ex-ministro provou que dará bastante trabalho para sua equipe de comunicação. Misturou dificuldades de dicção com tons de arrogância professoral”.

SEM SURPRESA

Já o capitão Jair Bolsonaro não surpreendeu. Sua falta de preparo é latente, bem como sua incapacidade de apresentar propostas que saiam da zona de conforto de alguém da extrema direita (armamento, segurança pública, etc.). “O temor demonstrado pelas assessorias se manifestou no palco: nenhum dos principais candidatos confrontou pesadamente Bolsonaro.

O único a questioná-lo em tom mais incisivo foi Boulos, que, por ser do PSOL, é rechaçado pelo eleitorado bolsonarista”, aponta Vera Magalhães, do Estadão.

Boulos, pelo radicalismo evidente, e “caindo de pau” nos opositores, como regra, de saída perdeu a credibilidade para confrontar aqueles a quem fez perguntas.

DACIOLO E BOULOS

Por fim, os “celerados” da noite, cada um em um extremo. Pouco tenho a comentar sobre o desconhecido Cabo Daciolo, que cita o nome de Deus em vão, como se isso fosse prova de conduta cristã ou religiosa a quem quer que seja. As ações demonstram nossa fé, não a oratória vã de versículos e citações religiosas. Vive realidade na linha da bancada Evangélica na Câmara dos Deputados, de que é um dos condestáveis.

LÍDER DO MTST

O mesmo se aplica ao líder do MTST. Boulos bateu forte em Bolsonaro, o que era esperado, bem como em Meirelles, “o candidato dos banqueiros e do governo Temer”. Se puder destacar um momento espirituoso, que arrancou risadas do público presente e da internet, foi a frase de que ‘Aqui há 50 tons de Temer’.

EM RESUMO

Alvaro Dias foi muito bem, conciso, sabe “editar” as respostas, fruto de sua experiência em rádio, da longa carreira política e também da formação de historiador.

A outra historiadora entre os candidatos, Marina Silva, não pode ser olhada apenas pelo lado “sonhático”. Ela bateu firme contra a malandragem na vida pública, ficha limpíssima que é.

Mas é Geraldo Alckmin quem melhor trabalha o tempo. Foi sintético nas respostas, objetivo nas perguntas, eficiente nas réplicas e tréplicas.

Enfim, como me diz um velho amigo, o ex-governador de São Paulo qualifica-se ‘para ficar com a coroa da Presidência’. Até por exclusão, se considerarmos que Alvaro não avança nas pesquisas de intenção de votos.

A dificuldade dessa “opção” chamada Geraldo será explicar que não sabia nada (aprendeu com Lula?) das maracutaias dos trens e metrô de São Paulo, além da roubalheira no DERSA. Roubos bilionários…

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