
Confesso que sou preconceituoso com graduações e pós-graduações feitas por brasileiros em países latino-americanos. Especialmente os cursos de Medicina, que sempre exercem fascínio pelo status social que podem dar, e possibilidade de boas recompensas financeiras no imaginário de estudantes brasileiros avessos a se submeterem a cursos aqui no Brasil.
A exceção deve ficar com a Argentina, cujos cursos são sabidamente de qualidade.
Os cursos da Bolívia e Paraguai atraem brasileiros aos magotes, o que é, em si, mau sinal. No Estado de Alto Paraná, Paraguai, cuja capital é Ciudad Del Este são 15mil os estudantes que cursam Medicina. Destes, 98% brasileiros…
OS DOUTORADOS
Meses atrás, fiquei com a pulga atrás da orelha, quando T., um jornalista da terra, muito bem equipado culturalmente, habituado a fazer vestibulares (e nele ser aprovado invariavelmente) de cursos difíceis em universidades federais – “só pra tirar a teima” -, havia se doutorado em Educação no Paraguai.
Depois da leitura da reportagem “No outro lado da fronteira, o sonho de ser médico”, da jornalista Denise Paro, revista Ideias, junho -, até alterei um pouquinho minha visão.
NO REVALIDA
Isso com base nos números mostrados pela matéria, que indicam serem – vejam só – 146, de um total de 1531, os médicos formados no Paraguai aprovados no exame Revalida de 2016. Trata-se de exame obrigatório para o exercício da Medicina no Brasil, a ser feito por brasileiros e estrangeiros graduados no exterior.
COMO SE EXPLICA
Por trás da corrida dos brasileiros a cursos de Medicina especialmente em Paraguai e Bolívia, há muitas explicações. Uma delas, a de que o Governo brasileiro permite que pessoas formadas fora do Brasil em Medicina exerçam a profissão no programa Mais Médico, atuando no SUS, sem necessidade de fazer o Revalida.
Outro fator para a corrida em busca do diploma é o preço cobrado pelos cursos, no Paraguai, por exemplo: chegam no máximo, a R$ 1 mil, contra R$ 6 a 8 mil no Brasil.
FECHANDO AS PORTAS
E não se pode esquecer que o Governo federal resolveu cerrar as portas para a novos Cursos de Medicina, para os próximos cinco anos, o que pode igualmente estar contribuindo para a busca do diploma em “paraísos” como Ciudad Del Este. Lá, apenas lá, são 5 mil brasileiros fazendo Medicina.
Por último, mas não menos importante, gostaria que me informassem sobre a qualidade da massa crítica dos professores de Medicina de Bolívia e Paraguai. E se as escolas de lá têm ou o não o mínimo de equipamento para formar médicos para este século.
