segunda-feira, 29 junho, 2026
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Opinião de valor: Manoel de Andrade e seus cantares poéticos e místicos

Por Mathias S. Albuquerque Filho (*)

Manoel de Andrade
Manoel de Andrade

Na noite do dia 25 de julho o poeta Manoel de Andrade lançará, na Livraria Curitiba, do Shopping Estação, o seu quarto livro: AS PALAVRAS NO ESPELHO.

O livro revela uma face diferente do autor, conhecido como poeta e pelas suas memórias latino-americanas do exílio. A obra mostra, no decurso de 450 páginas, o versátil perfil intelectual do ensaísta e do articulista, discorrendo sobre os mais variados assuntos.

É “ESPELHO”

A obra é um “espelho” onde a ideologia e a espiritualidade do prosador refletem as feições expectantes da condição humana, sublimadas pelas bandeiras de luta onde o significado dos ideais, a busca pela beleza moral e os exemplos de solidariedade marcam indelevelmente suas páginas.

KARDECISTA

O poeta é um kardecista convicto, dirigindo um cento espírita em Curitiba, o que não lhe tolda o profundo sentido ecumênico. Seu olhar sobre Comboni e Zilda Arns é exemplo dessa abertura ampla para o sagrado, que dispensa denominações religiosas.

COMEÇA EM 1968

Os primeiros ensaios celebram a importância social e política do memorável ano de 1968, trazendo reflexões sobre o cinquentenário da revolta estudantil na França e suas repercussões no mundo e no Brasil, descrevendo com riqueza de detalhes o itinerário da célebre Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, assim como a ampla memória das lutas estudantis que abalaram o mundo naquele ano.

POESIA & ORALIDADE

O livro traz a trajetória de grandes poetas que deram a vida por um sonho e discorre sobre a importância da oralidade na poesia através dos tempos. Examina, historicamente, os problemas latino-americanos, assim como retrata a grande obra fraterna de Zilda Arns, de Irmã Dulce, de Florence Nigthingale e de Daniel Comboni, um dos maiores missionários na história da Igreja.

As palavras no espelho, pelas suas reflexões políticas, religiosas e literárias, trazem a sensibilidade do poeta que fez da poesia sua trincheira pela liberdade, e a visão do historiador que analisa com uma profunda consciência crítica os fatos que envolveram os heróis, os mártires e os verdugos do nosso tempo.

QUEM É ELE

Manoel de Andrade é catarinense, cursou até o quinto ano de Direito na UFPR, e foi lançado nacionalmente em 1969, quando a editora Civilização Brasileira começou a publicar seus poemas. O exigente crítico Wilson Martins o saudou como um dos destaques da poesia brasileira.

Perseguido pela ditadura, deixou o Brasil em 1969, atravessou 15 países do continente promovendo debates e declamando seus versos. Seu primeiro livro, Poemas para la libertad, foi publicado em La Paz, em 1970 e lançado no Brasil em edição bilíngue em 2009. Publicou também o poemário Cantares, em 2005 e em 2014 Nos rastros da Utopia: uma memória crítica da América Latina nos anos setenta.

(*) MATHIAS S.ALBUQUERQUE FILHO, crítico literário e jornalista, atua em São Paulo.

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