domingo, 28 junho, 2026
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UNIVERSIDADE DO ESPORTE PROMOVE TAÇA DAS FAVELAS DO PR

Um dos times que competem no torneio antes do início do jogo. No destaque, a bandeira da Universidade do Esporte.
Um dos times que competem no torneio antes do início do jogo. No destaque, a bandeira da Universidade do Esporte.
Segismundo Morgenstern, fundador da Universidade do Esporte (EU)
Segismundo Morgenstern, fundador da Universidade do Esporte (EU)

Criada para abrigar centros de treinamento da ginástica de alto rendimento, em 1998, a Universidade do Esporte, completa duas décadas, agora como ONG, patrocinando o 1º Torneio de Futebol das Favelas do Paraná. Trata-se de uma competição de números impressionantes. Desde que foi criado em 2012, o evento já cerca de 100 mil atletas sub-17 no Brasil, o que o transformou no maior torneio entre comunidades do mundo.

A edição paranaense, promovida pela Central Única das Favelas (Cufa) com o patrocínio da Universidade do Esporte e o apoio do Paraná Clube, da Rede Globo e da Prefeitura de Colombo, reúne 350 jovens de cerca de 90 comunidades divididas em 20 equipes: 16 masculinas e quatro femininas.

PENEIRA

Neste sábado (2) e no próximo (9) serão disputadas as semifinais e finais do torneio na Vila Olímpica do Boqueirão em Curitiba.

Para chegar à disputa, os jogadores (e jogadoras) passaram por uma peneira que contou com a participação de 1.500 inscritos. Os times foram criados a partir desta seleção.

OLHEIROS DE VÁRIOS CLUBES

A Cufa estima que os próximos torneios possam envolver cerca de 600 mil jovens moradores de favelas. Apesar de ter um caráter social, a competição também é uma oportunidade de revelar talentos. “Há olheiros enviados pelos principais clubes de futebol do país para assistir aos jogos”, diz Sidney Morgenstern, gestor da Universidade do Esporte.

CIUMEIRA DE ADMINISTRADOR

Sidney é filho de Segismundo Morgenstern, engenheiro, ex-presidente da Fundepar no governo Jaime Lerner, professor da UFPR, e um dos idealizadores da Universidade do Esporte, inaugurada em 1998, com o apoio do Banco Real. O projeto que chegou a abrigar a equipe campeã mundial de ginástica e o time de basquete do Rexona/Paraná, comandado pelo técnico Bernardinho Rezende, foi sepultado no governo de Roberto Requião mais pelos resultados positivos alcançados e menos pelo custo alto da empreitada, é o que se deduz. Ciumeira de administrador que quer ganhar a posteridade apenas com obras de próprio punho. Sandice, em resumo.

AGRURAS DE VISIONÁRIO

“Sig”, como é conhecido Segismundo, sofreu as agruras do visionário (idem no caso de Lerner) e viu seu projeto minguar, mas não o suficiente para que não pudesse erguer-se como uma ONG, e reaparecer, agora sob a gestão do filho, patrocinando competições que vão muito além do jardim do futebol.

SURFE, BASQUETE, ARTES MARCIAIS…

A Universidade do Esporte continua patrocinando modalidades esportivas tal como o surfe – que, para os iniciantes, começa na areia, com a prática dos movimentos em cima da prancha –, o basquete, as artes marciais, os jogos ecológicos, etc. Sempre buscando praticantes na escola pública e na favela, que só é comunidade porque o termo parece mais tolerável aos ouvidos de certa classe média alta. Já deu para notar que a Cufa não abre mão da palavra. Dá-lhe favela!

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