domingo, 28 junho, 2026
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MARINA SILVA REJEITA RÓTULOS DE ESQUERDA OU DIREITA E DIZ QUE “ESTÁ À FRENTE”

Marina Silva (foto Marcus Vinicius Gomes)
Marina Silva (foto Marcus Vinicius Gomes)

A pré-candidata à presidência Marina Silva (Rede) negou, na quinta-feira à noite (17), que tenha ficado em silêncio durante o processo de impeachment de Dilma, a posse de Temer e o processo que levou Lula à condenação e prisão nos últimos dois anos.

A FAVOR E CONTRA

Marina diz que tem se manifestado frequentemente nas redes sociais e tomado posição em todos os assuntos que dizem respeito ao país. É a favor da Lava Jato, contra o foro privilegiado, a favor da cassação do senador tucano Aécio Neves, a quem apoiou no segundo turno das eleições, em 2014, e contra a proposta da reforma da previdência apresentada pelo governo.

PÁGINAS POLICIAIS

“Não fiquei em silêncio, sempre me posicionei sobre tudo nas redes sociais. Se a grande mídia não se preocupou em me ouvir é outra questão”, disse ela durante entrevista coletiva no Hotel Nacional Inn, em Curitiba, onde oficializou ao lado de outros membros do partido – Flávio Arns, pré-candidato ao Senado, e Jorge Bernardi, que deve disputar o governo do Paraná – sua condição de postulante à presidência da República, a segunda consecutiva.

“Minha proposta é promover o debate com a população. Não estou nas páginas policiais, não estou envolvida em denúncias de corrupção de qualquer espécie”, afirmou.

SEM CARIMBO

Marina Silva também rejeitou o rótulo de candidata de esquerda ou de centro esquerda, ainda que seu histórico de 30 anos no PT e sua condição de ex-ministra de Lula apontem para essa tendência. “O que é ser esquerda?” indagou. “É se aliar a Maluf, Renan, Sarney? A esquerda fez isso. O que é ser direita? É se aliar a Maluf, Renan, Sarney? A direita também fez isso. Eu não pertenço a esse espectro ideológico. Costumo dizer que estou à frente. Cultivo as coisas boas de um e de outro lado. Não as erradas”, disse.

POSIÇÕES CEGAS

“Se você adota um lado você também adota uma posição cega e tende a ver uma situação cegamente, deixando o principal de lado, que é o país”.

Jornalista Aroldo Murá com o pré-candidato ao governo do Estado Jorge Bernardi (foto Marcus Vinicius Gomes)
Jornalista Aroldo Murá com o pré-candidato ao governo do Estado Jorge Bernardi (foto Marcus Vinicius Gomes)

CHEQUE SEM FUNDO

Adversária declarada de Dilma Rousseff, ela lembrou que a presidente em seu segundo mandato (ainda que breve) passou um cheque sem fundo para a população e levou o Brasil a uma crise aguda, mas descartou uma solução mágica. “Não adianta vir o PSDB dizer amanhã que a solução é a privatização. Não se resolve uma crise impondo um modelo econômico de cima para baixo. É preciso ampliar o debate com a sociedade civil”.

EVANGÉLICA SIM, MAS O ESTADO É LAICO

Indagada sobre sua fé evangélica e sua participação na igreja pentecostal Assembleia de Deus (antes era cristã católica), Marina disse não ser uma estudiosa da religião. “Tenho fé e da minha fé emana o respeito a outras religiões, inclusive àqueles que não professam nenhuma. Lembro, porém, que há muito tempo o Estado é laico, está separado da igreja”. E completou: “Nunca fiz do palanque um púlpito e do púlpito um palanque”.

ÍNTEGROS E HONESTOS

Pesquisas recentes de intenção de voto mostram que Marina Silva já disputa a primeira colocação com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na corrida eleitoral à presidência, em um cenário em que Lula é descartado.

FALÊNCIA PARTIDÁRIA

Para ela, a falência do modelo partidário está levando o eleitor a agir de maneira independente, livrando-se das amarras das siglas e votando em candidatos de histórico íntegro e honesto. “Não adianta bater na tecla da segurança pública quando é preciso investir em educação, não podemos levar o aluno até o nono ano e entregá-lo sem que consiga ler, analisar e compreender um texto. Precisamos de uma saúde que funcione e de uma política tributária que não privilegie os ricos em detrimento dos pobres. Estou propondo, como pré-candidata à presidência, um pacto federativo, a descentralização política dos estados. Não dá mais para manter essa política do governador precisar se apresentar em Brasília de pires na mão. É preciso uma reforma da previdência? Sim, mas não da maneira que o governo está propondo. Teremos regressão na previdência porque estamos perdendo o bônus demográfico. Em breve haverá uma reestruturação da forma produtiva, as pessoas estão vivendo mais e isso vai demandar novas regras de aposentadoria. O que temos é uma grande proposta de união do país. Quero convidar os brasileiros para que se unam em favor do Brasil”.

COMO O DIABO FOGE DA CRUZ

Apesar do crescimento nas sondagens eleitorais, Marina Silva recebe críticas por titubear em suas propostas. Recentemente a “Folha de S. Paulo” publicou editorial abordando o “oco de seu projeto para o país” e da dificuldade da pré-candidata em atrair a empatia do eleitorado. De fato, Marina não ri, discursa com certo enfado e parece ainda contaminada com o discurso esquerdista que marcou sua trajetória política, apesar de fugir dela como o diabo foge da cruz. A cruz evangélica, por óbvio.

Advogado Maurício Arruda, Caroline Arns, filha de Flávio Arns, Marina Silva e Flávio Arns. (foto Marcus Vinicius Gomes)
Advogado Maurício Arruda, Caroline Arns, filha de Flávio Arns, Marina Silva e Flávio Arns. (foto Marcus Vinicius Gomes)
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