
Em “Homo Deus”, o historiador israelense Yuval Noah Harari, sustenta que depois de séculos combatendo a fome, vivemos um momento único em que, a despeito de não ter sido completamente erradicada, hoje morre-se mais de obesidade do que de inanição. A guerra, embora ainda exista, mata apenas uma fração do que matou até o século XX, e a expectativa de vida bate a cada dia mais recordes. A ponto da própria ideia de morte, como a conhecemos, estar com seus dias contados.
AGORA SEREI ETERNO
O longevo Pio Ferreira Santos, aluno do quinto ano de Direito da Uninter, é prova de que estamos chegando muito perto do que Carlos Drummond de Andrade diria ser só um poema no meio do caminho e agora é realidade: “Cansei de ser moderno, agora serei eterno”.
A CURITIBA “SURPRESINHA”
Com 81 anos, ele está completando sua segunda graduação – antes formou-se em Teologia Espírita – e já se prepara para o vestibular de História. Foi funcionário da Sanepar, criou os filhos, deu a eles a educação necessária e quando a vida permitiu foi cuidar ele mesmo de sua formação universitária. O baiano do município de Jacobina está em Curitiba desde 23 de janeiro de 1959 (ele recorda-se da data exata) e, afeiçoou-se tanto à cidade que não reclama nem das surpresas climáticas que ela lhe proporciona.
UM LEGADO NOBRE
Vê-lo fazendo anotações durante um debate sobre “Democracia e Soberania Popular”, em um sábado pela manhã, foi um alento. Seremos eternos? É pouco provável. Mas certamente trilhamos um caminho, e Pio é prova disso, no qual não legaremos aos nossos filhos o legado de nossa ignorância. A miséria política é outra história.
