A vida profissional do advogado Francisco Zardo tem um percalço cômico.

Aos 22 anos, recém-formado, Zardo passou por uma seleção rigorosa no escritório de René Dotti que durou longos seis meses. Depois de entrevistas, provas e apresentação de currículo, foi um dos quatro selecionados entre 300 concorrentes. Confira a ‘nota de corte’: tratava-se de 75 candidatos para cada vaga. Zardo precisou eliminar 74.
Ainda assim, colocado frente a frente com o jurista René Dotti, e oferecida-lhe a vaga, respondeu que ‘precisava de um tempo para pensar’.
TRÊS DIAS, APENAS
Dotti lhe deu três dias. Antes do prazo expirar, enviou mensagem dizendo que aceitava o emprego. Por alguma razão, no entanto, o jurista o desconvidou. Havia urgência no escritório por conta de um caso importante envolvendo a CPI dos Bancos e o então presidente do Itaú, Roberto Setúbal.

“DESCONVITE”
Zardo ficou surpreso com o ‘desconvite’ e estava prestes a conformar-se quando a mãe, que sempre foi sua conselheira de todas as horas, o convenceu a telefonar. Ele o fez. Disse que havia aceitado a oferta no prazo estabelecido e se resignou. Dotti, em gesto nobre, entendeu que ele estava certo e o reconvocou. Começou aí uma carreira que já dura mais de 15 anos e tende a ganhar longevidade.
É COORDENADOR
“Zardo é hoje sócio do escritório, coordenador do núcleo de Direito Administrativo, tendo sob sua guarda cinco advogados e três estagiários.
Como conheceu Bruna, a esposa? Eis outro episódio em sua vida que revela um pouco do que é um misto da crença de Zardo em si mesmo, da presença da fé em sua vida, e da ideia algo romântica com que faz suas escolhas.
CASAMENTO
Zardo conheceu a futura esposa quando ela tinha apenas 12 anos. Se ele interessou-se de cara, ela, nas entrelinhas, deve ter enviado uma mensagem assim resumida: “preciso de um tempo para pensar”. Pensou por dez anos. Quando voltaram a se encontrar engataram o romance. O namoro durou oito anos. O casamento foi em 2009.”
(Trecho do perfil de Francisco Zardo, personagem do meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, volume 10, a ser lançado dia 25 de junho, na Sociedade Garibaldi).
