sábado, 27 junho, 2026
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QUEM VIVE COM 40 REAIS POR MÊS?

China e Brasil
China e Brasil

A pergunta acima tem uma resposta dramática: 10 milhões de brasileiros.

O que significa que, mesmo que 2017 tenha sido marcado pelo fim da recessão e pelo início da recuperação econômica do país, 5% da população ante um universo de 200 milhões de habitantes vive com R$ 40 por mês.

São 11,7 dólares na cotação de hoje.

SALÁRIO DE CHINÊS

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Repare: este é o salário médio que o chinês recebia até poucos anos, antes do “boom” do país asiático, e que aqui, ironicamente, nos causava horrores. Pois vamos pior e, acredite, caímos.

AGORA MISERÁVEIS

Em 2016, o valor médio pago a essa parcela de 10 milhões de pobres e desempregados alcançava R$ 49 por mês. Em miúdos, os brasileiros mais pobres ficaram 18,4% ainda mais miseráveis.

PIOR PARA O NORDESTE

Em uma escala de 0 a 1 no índice que mede a diferença abissal da renda, onde quanto maior o indicador pior é a distribuição, todas as regiões do país, exceto o Sudeste, apresentaram maior desigualdade. No Nordeste, a piora foi de 0,555 para 0,567. No Sul, de 0,473 para 0,477. Na região Sudeste, que concentra os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais houve uma melhora de 0,535 para 0,529, explicável porque é nessa área, de maior potencial econômico, que as indústrias e o comércio deram sinais mais fortes de recuperação, inclusive na empregabilidade.

MERCADO DA INFORMALIDADE

O IBGE tem uma explicação na ponta da língua: tudo o que o mercado de trabalho gerou em ocupação no ano passado foi voltado para a informalidade. Não houve crescimento de trabalhadores com carteira assinada, não houve melhora na qualidade de emprego nem aumento no número da atividade profissional.

MENOS QUE O SALÁRIO MÍNIMO

Há mais: além dos 10 milhões em estado de miséria, há um exército de 45 milhões de brasileiros (quase 25% da população), recebendo R$ 754 por mês, abaixo do salário mínimo determinado por lei.

INVEJA DELES

É uma situação que agora nos faz morrer de inveja da China. Aquele país onde empresas instalavam suas fábricas – grandes corporações brasileiras entre elas – a fim de explorar a mão de obra barata do trabalhador chinês. Nossa realidade é ainda mais medonha. Que sirva de pauta para os presidenciáveis. Longe, portanto, do ruído do desemprego e da fome, porque esta e aquele já estão resolvidos há muito tempo pelo 1% da população brasileira que recebe R$ 15,5 mil mensais – 387,6 vezes mais do que os 10 milhões mais pobres.

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