quarta-feira, 13 maio, 2026
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VICENTE NÃO CONHECE, MAS ‘IDEIAS’ EXPLICA COLÔNIA CACATU

Diego Antonelli; Ex-deputado Rui Hara: neto de pioneiro; Fábio Campana: olhar de editor
Diego Antonelli; Ex-deputado Rui Hara: neto de pioneiro; Fábio Campana: olhar de editor

Quando encontro Vicente, um nissei cinquentão, meu conhecido, corretor de imóveis de importante imobiliária de Curitiba, pergunto-lhe de chofre: “Você conhece a Colônia Cacatu, dos primeiros japoneses que se instalaram no Paraná?”.

Vicente se assusta, nunca ouvira falar que os primórdios da imigração japonesa no Estado começaram em Antonina, em 1917. Cacatu, então, soou-lhe inteiramente estranho.

E olha que o meu conhecido é nissei… Esse alheamento pode até ser interpretado como exemplo de perda de raízes culturais nipônicas entre os filhos, netos e bisnetos de japoneses.

MUITA TERRA EM ANTONINA

Cacatu foi exemplar projeto agrícola, 250 alqueires de terras em Antonina, sobre o qual o médico e ex-político Rui Hara dá um alentado depoimento a Diego Antonelli, na edição de março da revista Ideias, a madura publicação de Fábio Campana.

Hara é neto de Misaku Hara, pioneiro do projeto iniciado com outra família japonesa, a Yassumoto.

GENTE DESLOCADA

Diego Antonelli – hoje conquistando mestrado na UFPR -, é desses quadros jornalísticos que estão, infelizmente, alocados em assessorias de imprensa no dia a dia, por falta de veículos que invistam em profissionais como ele.

O jornalista, que escreveu muito sobre temas históricos para a antiga Gazeta do Povo, está fazendo um trabalho único: Campana pediu-lhe para levantar a história das imigrações no Paraná. O resultado até agora apresentado é para ser arquivado, consultado; gera subsídios sobre tema do qual se fala muito e pouco se conhece.

PORTAS FECHADAS

E também porque o mundo acadêmico continua a tratar da imigração no Paraná mais ou menos a portas fechadas. Ou com teses que ficam entre quatro paredes ou livros de pequenas            tiragens.

Outra curiosidade: os três primeiros imigrantes que colocaram os pés em Curitiba chegaram aqui por equívoco. Na verdade, iriam, diz Antonelli, para a Argentina. Depois de muitas voltas teriam, até lutado na Guerra do Contestado.

Primeiros imigrantes japoneses
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