
O cirurgião curitibano Cícero Urban é um dos 40 especialistas mundiais em mastectomia reunidos em Basiléia, Suíça, desde esta segunda, 12. Ele pertence ao reduzido universo mundial de mastologistas que a partir de lá definirá – sob o patrocínio do Oncoplastic Breast Consortium -, recomendações do chamado Consenso de Basiléia sobre a preservação da aréola e mamilo e em reconstrução mamária.
O evento é organizado pelo Oncoplastic Breast Consortium, com a participação de 40 especialistas do mundo todo, com direito a voto, e de onde sairão recomendações que influenciarão as condutas neste tipo de cirurgia.
Cícero Andrade Urban é um saliente especialista no mundo médico, referencial mundial em doenças e cirurgia da mama. Em Curitiba chefia a Cirurgia da Residência do Hospital Nossa Senhora das Graças, coordena o Curso de Medicina da Universidade Positivo (UP) e atua na Oncoclínica.
Recebe anualmente estagiários de todos os continentes, no HNSG. E cumprirá ao longo deste ano roteiro de palestras que fará para especialistas em mastologia nos Estados Unidos, Espanha e Argentina, além de diversos estados brasileiros.
Nos Estados Unidos, por exemplo, ministrará um curso de reconstrução mamária para especialistas americanos.
A entrevista a seguir esclarece mais sobre a importância de Cícero em plano internacional.
Ele é também vice-presidente do Instituto Ciência e Fé de Curitiba (“Fidelis et Constans”):
REDUZINDO DANOS E MUTILAÇÕES
– Como você define-se hoje: mastologista com especialização em oncoplástica? Ou simplesmente cirurgião oncoplástica?
R – Cirurgia oncoplástica não é uma especialidade médica, mas a associação de técnicas de cirurgia plástica e de cirurgia oncológica, com o objetivo de tratar o câncer de mama, reduzindo o dano e a mutilação com a cirurgia. É um método e uma filosofia de tratamento. Sou mastologista e cirurgião oncológico.
SÓ 40 ESPECIALISTAS
– Situe-se profissionalmente: dirige o curso de Medicina da UP, no HNSG chefia o Departamento de Cirurgia, atua como professor da Residência, e sua clientela é basicamente atendida na Oncoclínica.
Mas também cumpre um intenso roteiro anual de conferências. Por exemplo, o Consenso de Basiléia, que começa nesta segunda, na Suíça: O que é, quantos especialistas reunirá, quais as características de sua participação no evento. Ele é diferente do Consenso de Saint Gallen?
R – Sou Coordenador Acadêmico do Curso de Medicina da UP, Chefe do Departamento de Cirurgia do HNSG e atendo na Oncoclínica. Na Basiléia teremos uma reunião de consenso em mastectomia com preservação da aréola e mamilo e em reconstrução mamária, organizado pelo Oncoplastic Breast Consortium, com a participação de 40 especialistas do mundo todo, com direito a voto, e de onde sairão recomendações que influenciarão as condutas neste tipo de cirurgia.
É um pouco diferente em termos de metodologia em relação a Saint Gallen, pois é mais voltado para cirurgia. Saint Gallen é mais amplo, e voltado ao manejo do câncer de mama inicial.
NOVAS ORIENTAÇÕES
– Das discussões e exposições em Basileia deverão ser conhecidas novas orientações para a área da mastologia. Dê exemplos, mesmo que hipotéticos, ainda.
R – A mastectomia com preservação da aréola e mamilo será o foco deste consenso, no qual serão definidas as indicações, contraindicações, limites e escolhas em termos de reconstrução nestes casos. O resultado disso tornará mais claros diversos aspectos que hoje são objeto de debate.
ESPANHA, ESTADOS UNIDOS
– Sobre seus próximos passos internacionais: quando, em que países, e que temas que abordará e sob quais condições (visitante, conferencista…)
R – Estarei ministrando um curso de reconstrução mamária na Espanha em maio; um curso de reconstrução mamária nos EUA, em abril, e uma palestra na Argentina, na Academia Nacional de Medicina sobre Bioética Clínica em agosto. Isso além de diversas palestras no Brasil sobre reconstrução mamária.
ESTAGIÁRIOS NO HNSG
– Como vai o programa de orientação de médicos do exterior que vêm ao HNSG para estagiar com você? Cite nomes e países. Se não houver estagiários hoje, rememorar o passado recente.
R – Estarei recebendo agora em março uma médica da Colômbia, na sequência um do Equador, na metade do ano da Austrália, e tenho recebido solicitações de médicos de diversos estados do Brasil.

