Edinho Vieira (*)
Não há desenvolvimento sem educação e o exemplo da Coreia do Sul nas últimas duas décadas parece comprovar, na prática, o que a teoria econômica sempre sustentou com veemência. O interior do Paraná poderia estar trilhando esse caminho, juntando a agropecuária e a indústria, a universidade e a educação básica, a geração de empregos e o desenvolvimento sustentável.
ASSISTENCIALISMO
E, no entanto, patina no assistencialismo federal, com municípios a depender quase que exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e dos empregos públicos – poucos, mal pagos, discricionários – em prefeituras e órgãos a elas ligados.
O Paraná, com sua vocação agrícola, deveria mirar no desenvolvimento de tecnologias de plantio e produção, na ampliação do setor de serviços, na indústria de máquinas, no turismo rural, mas está imerso em um mar de tributos que subtrai do homem do interior a determinação e a vontade resoluta que sempre o acompanharam.
INCUBADORA DE SOLUÇÕES
Não se tratam de palavras ao vento. Trata-se de uma constatação. A luz no fim do túnel parecer vir exatamente da educação. As universidades estaduais espalhadas nos grandes aglomerados urbanos do estado têm se encarregado de trazer às cidades em seu entorno o estímulo necessário para que os chefes de famílias e seus descendentes finquem raízes na zona rural em lugar de arriscar-se nas capitais de aposta incerta.
EXEMPLO DA UEM
Exemplo disso é a Incubadora de Empreendimentos Econômicos e Solidários da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que proporcionou as bases para a formação de cooperativas, impulsionando o comércio de leite, de legumes como o palmito e de hortaliças através da agricultura familiar.
ALÉM DO DESENHO
Não se trata de um projeto que ficou no desenho. A iniciativa é real, ganha impulso e proporciona que os filhos dos agricultores cheguem à universidade. Aquela mesma que, dando início ao ciclo econômico, garantiu que seus pais ficassem na cidade e não migrassem para a capital.
Há exemplos de ações como essa em toda parte. Elas só precisam ser reunidas e ganhar a dimensão de um grande projeto do Paraná. Como dizia um antigo comercial, há “gente que faz” em cada canto do Paraná. E eles estão dispostos a fazer mais.
(*) EDSON LUIZ VIEIRA, o EDINHO VIEIRA, 46, é empresário, filho do senador e ministro da Agricultura, José Eduardo Vieira, falecido em 2015. Edinho começou a trabalhar aos 13 anos como office-boy aprendiz no Bamerindus, presidido por seu pai. O banco sofreu intervenção considerada injusta pela família, em 1997.
