quarta-feira, 13 maio, 2026
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HUCK É O TIRIRICA ‘DAZELITE’

Luciano Huck: amador na política; Tiririca: voltando ao picadeiro; Emmanuel Macron: sem comparações
Luciano Huck: amador na política; Tiririca: voltando ao picadeiro; Emmanuel Macron: sem comparações

Às vésperas do Natal de 2016, o senador Alvaro Dias, ainda filiado ao Partido Verde, disse em entrevista que jamais mediria forças em pesquisas eleitorais com os não-políticos. Referia-se a Roberto Justus, o publicitário, cujo nome era embalado pela mídia e a Luciano Huck, o animador de auditório.

CONSPIRATA

Justus foi esquecido, mas Huck ficou, o “Incrível Huck” como a IstoÉ estampou em capa, em associação óbvia. Nesta sexta (15), a novela que sequer havia começado, enfim acabou. Huck que nunca se disse candidato agora, definitivamente, segue não-candidato, ainda que setores do PT, sempre conspiratórios, vejam na decisão um recuo estratégico. Ok. E a Paraíso da Tuiuti só não levou o Carnaval 2018 por intervenção da Globo e porque a sigla da escola dá PT. Definitivamente tudo que respira, conspira.

PIADA LEVADA A SÉRIO

Alvaro Dias, agora no Podemos, estava certo. Parecia uma bobagem desde o início. Até onde se sabe, Luciano Huck era uma piada que nasceu piada nas redes sociais e, em lugar de fazer rir, foi levada a sério.

ROLEX ROUBADO

Por que Huck seria candidato? Porque, certa feita, teve o seu Rolex roubado no trânsito e escreveu um texto indignado na seção Tendências e Debates da Folha. Ora, ora. Em resposta, um membro do rap ou do funk reagiu, no mesmo espaço, defendendo os direitos do ato criminoso sem usar, por óbvio, o argumento de Proudhon (“toda propriedade é um roubo”).

BRAZILIAN WAY OF LIFE

Talvez porque os tempos vicejavam ilegalidade e corrupção em uma distorção do conceito da “Estética da Fome” que Glauber Rocha quis denunciar em seus filmes, mas que a nova esquerda elegeu como um “brazilian way of life”. Na ‘comunidade’ (leia-se favela), no pagode e no conceito “fake” de solidariedade. Mascarou-se assim, por longo tempo, com o auxílio luxuoso de programas televisivos, o tráfico de drogas, o controle das facções e a cultura das armas.

CONTRAPONTO

Huck era o contraponto. O sonho idealizado da família margarina. Jovem, rico e célebre. Poderia ser outro qualquer, mas o apresentador global, a certa altura, ganhou a aura de “novo”, apesar de nunca ter incursionado na política e nunca demonstrar essa intenção.

RIMA NÃO SOLUÇÃO

Que propostas ele apresentou? Quais eram seus projetos? Não se sabe. Huck conversou e, a certa altura, teve a seu serviço o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Para impulsionar a ideia do novo candidato para um Brasil novo convocou-se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse o óbvio: “Huck é uma alternativa”. Claro que é. Assim como Raimundo seria uma rima, mas jamais solução no poema de Drummond.

INTERVENÇÃO MILITAR

O fato é que nenhum dos candidatos de centro empolgou. Era natural, depois de cinco anos em que as redes sociais esbanjaram extremismos. A ponto de uma parcela da população (ínfima, diga-se, mas agora eleitora de Bolsonaro) defender a intervenção militar.

DIFERENÇAS GRITANTES

Compara-se Huck a Emmanuel Macron. Contudo, as diferenças são gritantes. Macron é um político profissional. O que fez, de novo, foi criar um partido para se eleger presidente. Nesse caso, a comparação mais justa ao francês seria o Collor do PRN. Melhor é não apostar no pior para a França.

MOTE DO DESPREZO

Huck, no entanto, tem um parente na política. Aquele do pior não fica. O palhaço Tiririca, o eleitor há de se lembrar, elegeu-se com o mote do desprezo. Para ele, se a classe política estava mesmo no fundo do poço não seria ele a piorar as coisas ainda mais.

INCENSADO PELA MÍDIA

Luciano Huck se enquadra nessa seara. É um candidato que foi incensado por parte da mídia como um lançamento nas prateleiras. Apresentou-se como eleitor de Aécio, mas rejeitou o político tão logo soube de suas maracutaias. Era declaradamente antipetista, mas jamais comungaria com o ideário bolsonarista. Apresentava-se como no jingle do PT ao lançar a candidatura de Eduardo Suplicy à prefeitura de São Paulo, no longínquo 1985: “É diferente de tudo que tá aí”.

Não é não.

COISA PARA PROFISSIONAIS

Se Huck tem uma qualidade é a de nunca ter sido um político, mas isso não basta. Não se trata de um truque de mágica nem de um jogo de soletrar. Política exige, sim, experiência. E se Tiririca sai da política para voltar ao circo, Huck jamais deve sair do palco (que é também um picadeiro) para candidatar-se ao maior cargo público do país.

Não se trata de reformar uma casa ou personalizar um carro, mas de administrar um país em cacarecos.

E isso, com a devida vênia, é coisa para profissionais.

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