quarta-feira, 13 maio, 2026
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REQUIÃO, AGORA DO ‘VELHO PMDB DE GUERRA’

Roberto Requião: candidato a tudo...; Osmar Dias: uma aliança possível com RR?; Orestes Quércia: apelido, só apelido
Roberto Requião: candidato a tudo…; Osmar Dias: uma aliança possível com RR?; Orestes Quércia: apelido, só apelido

No ano em que expira seu mandato no Senado, Roberto Requião é pré-candidato ao governo, à presidência da República, à vice-presidência e, se todos os santos o ajudarem, também ao senado. Talvez, diante das dificuldades imensas em emplacar seu discurso nacionalista moderno (data de 1926), recheado de expressões como “entreguismo” e “antiamericanismo”, ele enfim se contente com um cargo na Câmara dos Deputados. É a chance que lhe falta de, em sessão que exija voto nominal, mandar um abraço para a Maristela, para o Maurício, para o Eduardo, para o Paikan, para a Roberta e todos aqueles que, parentes diretos ou indiretos, já sacudiram risonhos em cargos públicos. Não que isso represente uma mancha em seu currículo. Há outras manchas a contemplar. Para toda a graça, Requião é um “nepotista militante” e a expressão é dele.

MDB RESSUSCITADO

Em dezembro, numa reunião esvaziada, o PMDB, inspirado por uma onda de “renovação partidária” que deu no Patriota (ex-PEN) e no Podemos (ex-PTN), ressuscitou o MDB, nascido na ditadura, e alcunhado, sob inspiração patriótica, no “velho MDB de guerra”.

BALELA

Requião se diz um herdeiro da sigla que construiu a oposição consentida e, por fim, a campanha das Diretas Já nas ruas. Não é.

O CHÁVEZ BRASILEIRO

Durante seu segundo e terceiro mandatos à frente do governo do Paraná (2003-2010), Requião foi tachado de “Chávez brasileiro”. Nunca rejeitou o apelido. Suas ideias são as mesmas dantes defendidas. Se governador amanhã, cargo que ele disputaria caso a possibilidade de vitória fosse minimamente viável, o quadro de populismo exacerbado não mudaria.

QUASE UM REPETECO DE 2010

É difícil que lhe façam coro. Osmar Dias parece ter tentado compor uma chapa com o agora “velho peemedebista de guerra”. Ele seria candidato ao governo e Requião disputaria o Senado. Quase um repeteco da chapa de 2010, com exceção de Gleisi Hoffmann, cuja sigla a que pertence, o PT, parece cada dia mais significar Partido Teflon. Ninguém quer se grudar a ela.

QUASE CANDIDATO

Requião já ameaçou por várias vezes lançar-se à presidência. Nunca concretizou o feito. Chegou perto em 2010 quando registrou a sua pré-candidatura, mas o PMDB preferiu a aliança com a petista Dilma Rousseff.

PARA O QUE DER E VIER

No momento, ele é o vice para o que der e vier em uma chapa encabeçada pelo PT. Se o partido adotar o Plano B, melhor. Se adotar o Plano A (com Lula), supimpa. Mas há uma pedra no meio do caminho. E, nesse caso, a pedra é gigantesca.

VOTOS DE SOBRA

Requião tem tanto contra si em qualquer cenário que, de fato, cogita seguir a mesma vereda vermelha de Gleisi e disputar um dos 30 cargos que o Paraná tem à disposição na Câmara Federal. Ao menos nesse caso ambos têm votos de sobra.

UMA FRASE NO BOLSO

O emedebista é um notável frasista. Talvez um dos melhores que este estado já produziu. Quando tomou o gravador de um repórter da Bandnews quando ele insistiu em questioná-lo sobre sua aposentadoria, saiu-se com essa: “Parlamentares sofrem bullying por parte da imprensa. Perdi a paciência”. No ano passado, com o julgamento de Lula marcado no TRF-4, anunciou a vinda de Bono Vox, do U2, para apoiar o petista em Porto Alegre. Depois, perguntado sobre o assunto, respondeu com outra pergunta: “Quem é Bono Vox?”.

‘MENINO DESINFORMADO’

As redes sociais divulgaram, com certa insistência, o vídeo em que a filósofa Marcia Tíburi salta da cadeira e deixa o estúdio da Rádio Gaúcha ao confrontar o MBL Kim Kataguiri. Pois Requião não se fez de rogado. Não só participou do debate, na mesma emissora, como publicou frase provocativa no Twitter: “Não há canalha absoluto, todos têm defeitos e qualidades. Canalha absoluto só existe na literatura. Discutam com o Kim, não demonizem o menino desinformado”.

Não se engane. A fama de ‘louco” – ou ‘Maria Louca’ como o apelidou o ex-governador Orestes Quércia -, é só fama.

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