Os nomes dos diretores da Fenaj, a Federação Nacional dos Jornalistas, dizem tudo. Salvo aquela carteirinha vendida a preço exorbitante (e que nem vale meia no cinema), a entidade e seus dirigentes não acrescentam dez réis de mel coado a qualquer debate que envolva a profissão ou o país.
IMOLAÇÃO
Em 2014, os sindicatos de jornalistas de São Paulo e do Paraná organizaram imolação da revista “Veja” por publicar capa com as fotos de Dilma Rousseff e Lula e o título “Eles sabiam”. A reportagem dava conta de que ambos tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras. A Fenaj julgou aquilo uma afronta, um golpe, e tratou de ‘incendiar’ o debate, literalmente.
O ABISMO DEMOCRÁTICO
Agora, a Fenaj sai novamente a público. Desta vez para acusar o ‘golpe’ que levou ao impeachment de Dilma em 2016 e a condenação de Lula na Lava-Jato, no ano passado. Entre a manifestação da entidade de jornalistas e a realidade há um abismo que confronta, de um lado as aspirações democráticas, de outro a bandalheira do Estado.
COLETIVOS E SOVIETES
Não é segredo. A Fenaj acalentou durante muito tempo o controle da comunicação através de coletivos, conselhos ou sovietes instalados nas redações. Quando Lula diz que quer democratizar a comunicação, traduza-se que, se eleito presidente, ele pretende criar um monitor ideológico e subtrair toda notícia que seja contrária ao seu governo e aos interesses que o circundam. Democracia não é isso. Democracia é outra coisa.
CASSANDO DIPLOMAS
É de se imaginar o que seria dos jornalistas que não rezam a mesma cartilha se a Fenaj tivesse poderes suficientes para barrá-los em empregos ou criminalizá-los por matérias que a desagradassem. O Sindicato dos Jornalistas do Paraná já flertou com essa possibilidade ao tentar cassar o diploma de Joice Hasselmann, acusada de plagiar matérias em seu blog, ou imiscuir-se no conselho de ética, que é órgão independente da entidade, para pressionar jornalistas. O propósito da intimidação deixa entrever a espécie de esquerdismo que habita a entidade. Não a esquerda esclarecida, certamente.
