terça-feira, 12 maio, 2026
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NOVA FEIRA DO LARGO DA ORDEM BEBEU DA FONTE DE LERNER

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Projeto das barraquinhas da Feira do Largo da Ordem
Projeto das barraquinhas da Feira do Largo da Ordem

Ao anunciar uma solução moderna para as barraquinhas da Feira do Largo da Ordem, cuja exposição jurássica já espantava turistas em lugar de atraí-los, o IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba –, bebeu da mesma fonte onde o arquiteto e urbanista Jaime Lerner mergulhou de cabeça.

RUA PORTÁTIL

Não é segredo que as barraquinhas retráteis, montadas sobre apenas um eixo, foram idealizadas a partir da Rua Portátil, que Lerner exibiu no Museu de Artes de Chicago lá se vão doze anos. Não por acaso a mostra paralela chamava-se “Modern Day Leonardos” (Leonardos de Hoje). A ideia de Lerner era interferir na urbanidade o suficiente para que as badulaques fossem oferecidas em um módulo sobre rodinhas que era recolhido à noite e dava nova vida ao ambiente. Uma rua com duas vidas.

Coisa de Jaime Lerner.

UMA BARRAQUINHA, UM ARTESÃO

As barraquinhas do Largo da Ordem ainda vão longe. Até o fim do ano, o IPPUC promete substituí-las e dar nova roupagem ao artesanato ali vendido. São 1.250 armações de ferro e lona, até a última contagem. Cada uma com um artesão em disputa frenética pelo turista e pela notoriedade um dia desfrutada por Efigênia do papel de bala.

SOL QUENTE, CHUVA FRIA

Há muito reclamava-se um banho de loja no largo. Gritava-se também uma solução para os apertos em hora de pico, além de um abrigo para as frequentes oscilações de humor do céu curitibano. Sol quente, chuva fria.

A VANTAGEM DE MARIA

Desde 2002, quando deixou o governo do Paraná, Lerner não quer saber de política. Tricota projetos no escritório que leva seu nome e os vende a preço substancial às cidades do Brasil e do mundo. O segredo não está nas campanhas de boas práticas, mas na disposição do município em bater à porta do munícipe. Caso do programa “Lixo que não é lixo”. Deu tão certo que os paulistanos demoraram a entender que vantagem Maria levava.

Ora, a vantagem estava na outra ponta com a usina de lixo reciclável gerando dividendos para a manutenção do serviço. Tão simples que chega a ser genial.

CRIADOR E CRIATURA

Por isso, o IPPUC dispensa apresentação. Por isso, Jaime Lerner, seu criador e criatura, esbanja soluções viáveis para questões que um outro qualquer resolveria com um viaduto. “A viadutice”, diz Lerner, “é o mal da modernidade”.

DOCK DOCK

Fosse por Lerner e os carros teriam sido abolidos do quadrilátero central de Curitiba. Que pastem em outro lugar. Lerner só admite os automóveis, quando elétricos e com a finalidade de percorrer curtas distâncias. Criou o Dock Dock, em 2009, e espantou os concorrentes. Um carrinho de banco único para levar seu motorista a empreitadas de baixa quilometragem e percurso exíguo. A solução ainda parece atrativa, mesmo porque as montadoras já vislumbram uma grande frota de elétricos até 2050.

TRABALHO, MORADIA, LAZER

Lerner enfrenta, agora um desafio: fazer do centro velho de São Paulo um lugar habitável. E o habitar tem aqui um sentido estrito: o urbanista quer recuperar os prédios residenciais que jazem abandonados ou alugados ao comércio da cidade. A ideia é conjugar trabalho-moradia-lazer, uma solução que ele viu nos países europeus, principalmente na França, e quer importar para São Paulo. Lerner tem horror ao projeto “Minha Casa, Minha Vida”. Deu a ele um complemento: “Meu Fim de Mundo”. É um cenário inadmissível para um urbanista que aposta todas as suas fichas no conceito do pedestre e não do veículo. “O carro é o cigarro do futuro”, afirma, em aforismo célebre.

A cada dia ele parece mais certo.

A genialidade bem exposta também no Dock Dock
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