terça-feira, 12 maio, 2026
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ENTRE A FÁBRICA E A SENZALA: O COTIDIANO DE NEGROS LIVRES

Negros libertos, mas ainda tratados como escravos
Negros libertos, mas ainda tratados como escravos

A Dissertação de Mestrado em História defendida por Mariana Alice Pereira Schatzer Ribeiro, em 2014 na Unesp de Assis, intitulada de: “Entre a fábrica e a senzala: um estudo sobre o cotidiano dos africanos livres na Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema-Sorocaba – SP (1840-1870)”, com a orientação da Profª. Dra. Lúcia Helena Oliveira Silva, foi publicada pela FAPESP e a Editora Alameda. A autora, hoje doutoranda pela mesma instituição, buscou entender as experiências dos africanos livres em um empreendimento imperial fabril.

AFRICANOS LIVRES

Os africanos livres foram uma categoria de trabalhadores com condição jurídica diversa em meio ao Brasil escravista e as pressões para o fim do tráfico transatlântico de escravos pela Inglaterra. Tutelados através da lei de 07 de novembro de 1831, a qual estabeleceu que os africanos capturados nos navios apreendidos devessem permanecer no Brasil durante catorze anos e, posteriormente serem reexportados para a África, os mesmos foram destinados às prestações de serviços junto aos consignatários privados ou públicos, como no caso da Fábrica de Ipanema.

ORIGENS, FUNÇÕES, FUGAS

Professora Lucia Helena Oliveira e Silva, da UNESP XX
Professora Lucia Helena Oliveira e Silva, da UNESP XX

Mariana pesquisou as origens étnicas dos africanos, as funções ocupadas, as fugas, os conflitos, a saúde, as doenças, os arranjos familiares, bem como as suas concepções de liberdade. As fontes principais para o estudo foram os ofícios, as listagens e correspondências oriundas do estabelecimento, sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

O exame da documentação mostrou também que o relacionamento dos trabalhadores levava à criação e ao fortalecimento dos laços entre companheiros.

ERAM IGUAIS NO DIA DIA

Na prática, africanos e escravos não sofreram diferenciações no cotidiano, como tarefas, alimentação, moradia entre outros fatores. O direito à liberdade e à reexportação após os 14 anos de serviços prestados muitas vezes não se efetivou, comprovando assim, a ideia de que sua condição foi somente um status jurídico da “lei para inglês ver”, forjada pelo Estado brasileiro.

AINDA ESCRAVIZADOS

Portanto, compreender as tentativas incipientes de modernização do império representa, inclusive, analisar os primeiros empreendimentos públicos da então Província de São Paulo, durante o século XIX, mas principalmente entender como tais iniciativas afetaram a vida de homens, mulheres e crianças livres, tratados como escravizados, os quais auxiliaram a impulsionar a nação.

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