
A nota expedida sexta, 22 de dezembro passado, pela Academia Paranaense de Letras (APL), assinada por seu presidente Ernani Buchmann, a propósito de entrevista do prefeito Rafael Waldomiro Greca de Macedo, ao jornal Tribuna do Paraná, que atribuiu à APL responsabilidade pelo incêndio do Belvedere, foi de total de felicidade.
No reto tom, o texto não só redarguiu as assertivas do majorengo político, como deixou no ar, subentendida, uma indagação: onde foi parar o dinheiro para o restauro do imóvel, objeto de decreto de Greca de Macedo do último junho??
O dinheiro jamais passou pela Academia, essa é a verdade. Não pode ter sumido.
POSIÇÃO ALTIVA
A nota representa a posição altiva e serena da diretoria da Academia (APL), instituição da mais forte representatividade cultural e a quem o Paraná deve respeito. Em síntese, repele a assertiva do prefeito, com a veemência e a indignação necessárias, lastreada em fatos substantivos, com informações, sem trololó.
Dá conta, por exemplo, que em junho deste ano o prefeito Rafael Waldomiro assinou decreto destinando e liberando R$ 1.073.000,00 (hum milhão e setenta e três mil reais) para o restauro do Belvedere, e que deveria ter sido encaminhado à APL. O dinheiro teria sido suficiente para o restauro do imóvel.
GUARDA MUNICIPAL
Enquanto a Prefeitura tem obrigação de dizer o que fez do dinheiro – onde ele está? Perdido na burocracia municipal? – há outras indagações que persistem. Uma delas: por que a Guarda Municipal não vigiou dia e noite o imóvel histórico, localizado em área da responsabilidade da Prefeitura, a Praça João Cândido? Daí pode-se chegar a outras conclusões: outros bens públicos que caberia ao Município guardar, devem estar com o mesmo destino.
MAMON, ONDE SE ESCONDEU?
O item sexto da nota da APL, elaborado a partir de parecer de seu Departamento Jurídico, deixa Greca e assessores num “coul de sac”. Leia:
“Em Decreto assinado em junho de 2017 pelo Prefeito Municipal foram destinados à restauração do prédio os valores calculados a partir do projeto de restauro oferecido gratuitamente pelo Sesc Paraná, no valor de R$ 1.073.000,00. Este valor jamais foi recebido pela Academia Paranaense de Letras, em vista da iniciativa do Prefeito em assumir as obras do restauro por meio da Secretaria Municipal de Obras Públicas”.
A NOTA OFICIAL DA ACADEMIA
Eis a nota oficial na íntegra:
“A Academia Paranaense de Letras, em face das declarações do prefeito Rafael Greca, que a responsabilizou pelo incêndio ocorrido no Belvedere, na Praça João Cândido, em Curitiba, esclarece não ter qualquer responsabilidade pelo referido sinistro, refém que é da lentidão e da burocracia do poder público, conforme os fatos:
- A partir da cessão da edificação pelo governo estadual, por meio da Lei nº 18.383, de 15 de dezembro de 2014, a APL realizou tratativas de toda ordem para sua preservação. Um grupo de pessoas e entidades passou a se reunir no Museu Paranaense, iniciativa que permanece ativa, com reuniões periódicas, para cuidar da revitalização da área. Empresários bancaram a segurança do local por meses, considerando o descaso da administração municipal com a região.
- A propósito, não é tarefa da Academia a manutenção da segurança no prédio e em seu entorno, obrigação permanente e intransferível do poder público.
- A APL firmou convênio com o Senac Paraná, em abril de 2015, para a instalação de um café-escola no local, com ênfase na cultura gastronômica paranaense, conforme os termos da Lei que concedeu o edifício à APL.
- Durante 15 meses, até o segundo semestre de 2016, o Senac responsabilizou-se pela segurança do Belvedere, com vigilantes no local 24 horas por dia. Ao final do convênio, não havendo liberação por parte do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura – que exigia a completa restauração – o Senac optou por não renová-lo.
- O prédio ficou, a partir de então, sem segurança, à mercê de moradores de rua, situação revertida apenas em outubro passado, quando foi lacrado pela Regional da Matriz.
- Em Decreto assinado em junho de 2017 pelo Prefeito Municipal foram destinados à restauração do prédio os valores calculados a partir do projeto de restauro oferecido gratuitamente pelo Sesc Paraná, no valor de R$ 1.073.000,00. Este valor jamais foi recebido pela Academia Paranaense de Letras, em vista da iniciativa do Prefeito em assumir as obras do restauro por meio da Secretaria Municipal de Obras Públicas.
- Os trâmites no âmbito da burocracia municipal, extensos e justamente rigorosos, podem ter levado o Prefeito a cometer tal injustiça com a nossa entidade. Em nenhum momento a APL teve direito a movimentar a verba destinada, de resto sob responsabilidade da própria Prefeitura, conforme o previsto na legislação.
- A Academia Paranaense de Letras segue aguardando que o imóvel a ela destinado seja, enfim, restaurado e entregue em condições de ser ocupado, objetivo de todos os curitibanos de bem.
- Nossa entidade, que sobrevive exclusivamente da pequena anuidade cobrada de seus integrantes, não possui recursos financeiros. De toda forma, mantém rigorosamente em dia suas obrigações contábeis e fiscais, o que pode ser comprovado por todos os seus membros em dia com as disposições estatutárias.
Curitiba, 21 de dezembro de 2017
Ernani Buchmann”.

