segunda-feira, 11 maio, 2026
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HASHTAG “#EUTEMO” DIZ TUDO SOBRE O MOMENTO DE INCERTEZAS E MEDOS DO BRASIL

Michel Temer
Michel Temer

A forma devastadora e inquisitorial com que as redes sociais têm se manifestado em período recente está provocando reações por parte daqueles que receiam dias piores. No mesmo ambiente, onde grassa o Facebook, o Twitter e o Whatsapp, um grupo de internautas lançou a hashtag #EUTEMO. O nome não foi escolhido por acaso. Nem o verbo. Temer diz respeito ao presidente Michel Temer, alvo do ataque da esquerda, por motivos com índice crescente de razoabilidade. Temor pelo presente, pelo futuro e pelo passado, desenhados, na internet, com o uniforme indistinto da polícia do pensamento.

PERÍODO SOMBRIO

O caso do jornalista William Waack, demitido da Globo por deixar escapar uma expressão racista em privado, é o exemplo mais lembrado. Há mais. As acusações de atores e atrizes hollywoodianos a supostos casos de assédio e o julgamento sumário das redes sociais denotam um grau de incerteza que ressuscita períodos particularmente sombrios em nossa história recente.

CAÇA ÀS BRUXAS

Nos dias que se seguiram à revelação de que o poderoso executivo de Hollywood, Harvey Weinstein, havia assediado sexualmente atrizes ao longo de três décadas, o cineasta Woody Allen cometeu o erro de prever uma caça às bruxas na indústria. Foi achincalhado por uma colunista do “The New York Times”.

CORRUPTO SIM, RACISTA NÃO

Talvez Allen tenha dito em alto e bom som o que deveria guardar para uma conversa reservada. Porém, guardadas as devidas proporções, a expressão não está longe da verdade. De tal forma que, no espaço de pouco menos de um mês, houve literalmente uma explosão de denúncias. No Brasil, há duas questões em pauta: o gênero e a raça. Admite-se o corrupto, mas não o racista. Admite-se o assassino, mas não o homofóbico. Pior: a suposta vítima se reinventa como vítima. A ponto de uma atriz declarar que as pessoas quando veem seu filho, negro, atravessam a rua. Em que país?

COMUNISTA INFILTRADO

Perceba o caro leitor, não se trata de denunciar o comunista infiltrado porque alguém acredita de fato que ele é comunista. Trata-se de acusar de racista, não uma pessoa, mas um grupo, um coletivo que não precisa ser identificado com o dedo, mas apenas localizado geograficamente. O racista (assim como o homofóbico), está espalhado por aí, é um ente genérico e qualquer um está à mercê desse carimbo. Basta que seja mal interpretado ou que diga algo torto registrável em áudio, vídeo ou texto.

O INVERNO DE NOSSA DESESPERANÇA

A hashtag #EUTEMO apresenta-se um antídoto. Primeiro contra a caça às bruxas em vigor nas quatro estações do ano. Depois contra um personagem da política que se configura uma raposa no galinheiro. Ou isso ou o que nos resta é o inverno de nossa desesperança.

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