

O apresentador Faustão perde em não incluir no time de celebridades da “Dança dos Famosos”, políticos como José Dirceu e Ângela Guadagnin. Os dois já provaram nas redes sociais que podem catapultar audiência invejável, tanto de seus detratores quanto por parte daqueles, que por razões que só a psicanálise explica, os veem como ‘guerreiros da pátria’.
ESQUINDÔ DA CORRUPÇÃO
Ângela caiu no ostracismo depois de dançar a absolvição de deputados mensaleiros na Câmara dos Deputados. Mas certamente o seu gingado e malemolência entre as mesas do plenário ficará carimbado no esquindô da corrupção.
NOVO ADEREÇO DO SAMBA
José Dirceu é caso mais recente. É o primeiro a inscrever a tornozeleira eletrônica nos adereços do samba. Se é que aquilo exibido na internet é, de fato, samba. Ou tango. Ou forró. Ou valsa de churrascaria. No vídeo registrado por um militante autorizado, surge em cena, como um figurante enfronhado, o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, cuja mulher foi apanhada na boca do caixa fazendo aquilo que não devia: pagando conta com dinheiro público. Adivinhe quem dançou?
A CABELEIRA DO ZEZÉ
Para quem ainda não viu o vídeo, trata-se de um fim de semana na chácara com churrasco, cerveja e aparelho de som. Uma mulher, de costas para a câmera, chama Dirceu para dançar. Ele parece constrangido, mas de súbito, faz aquele movimento típico de quem joga para lá e para cá e se vê dançando. Não é difícil. Nada de malabarismos nem rodopios. Se o leitor cantar para si mesmo a marcha carnavalesca “Olha a cabeleira do Zezé” vai entender o que digo. Dirceu não ensaia o pas de deux nem exibe o adereço da prisão domiciliar, mas sabemos que está ali, sob a calça jeans, piscando o indisfarçável sensor de rastreamento.
COMUNISTA BRADA
Dirceu era o presidente da União Estadual de Estudantes, em São Paulo, quando a ditadura inaugurou sua fase de chumbo em 1968. Ostentava o padrão de galã, mas não se sabe se dançava mais do que a cartilha partidária permitia. Comunista, em tese, não dança. Ele luta, ele brada, ele escala palanques, ele discursa, ele esbraveja e, vá lá, até chacoalha, mas dançar não dança.
OSTRACISMO
Ângela Guadagnin, pobre, dançou para nunca mais. O sambinha da pizza lhe rendeu uma péssima reputação no círculo petista. Lula esteve com ela em uma daquelas cerimônias de governo e não se esforçou para lhe dirigir palavra. Ela foi derrotada em sua tentativa de reeleição para a Câmara dos Deputados, em 2010. Dois anos depois, foi eleita vereadora em São José do Rio Preto. Amargou nova derrota no ano passado, quando buscava renovar o mandato municipal.
INSTINTOS PRIMITIVOS
A petista esperava que o tempo colocasse uma pedra sobre o dia em que se fez protagonista. Em vão. O recente sacudido desengonçado de José Dirceu despertou as inevitáveis comparações e fez despertar nela “os instintos mais primitivos” (copyright Roberto Jefferson). Faustão poderia cogitar o quadro da “Dança dos Corruptos”. Dirceu e Ângelo estariam inscritos.
Mas claro, não faltariam outros concorrentes.

