
O jornalista curitibano Toninho Vaz seguiu à risca os conselhos do colega Ruy Castro ao enveredar pelo caminho tortuoso da biografia. Para cada personalidade escolhida, leu uma montanha de textos, localizou e entrevistou duas centenas de pessoas, cruzou depoimentos e informações, checou datas e lugares, varejou o universo em que o fulano gravitou, encarou os abacaxis cotidianos, e deu a tudo isso uma forma coerente de texto, com o devido toque de inteligência que cabe ao autor. Ainda assim, seus problemas só começaram. Era necessário, ainda, enfrentar os herdeiros. E seus advogados.
LIBERADO. SÓ QUE NÃO
Ok, o Supremo Tribunal Federal desatou as amarras que atavam o biógrafo ao biografado, mas não é bem assim. Toninho Vaz sabe como é isso. Mesmo com a decisão libertária (ainda que à tardinha), há uma série de entraves pelo caminho. Uma dela diz respeito ao ânimo das editoras em investir em uma biografia passível de ação judicial no meio do caminho.
Sim, publicar pode. Mas o processo de um parente ressentido pode sempre vir à tona.
CAPACETE ESPETADO NA BAIONETA
Vaz enfrentou problemas com as herdeiras do poeta e tradutor Paulo Leminski em diversas ocasiões. A biografia “O bandido que sabia latim” já devia ter merecido a quarta edição. Só não mereceu porque o mercado editorial está recolhido e temeroso, assim como um soldado na trincheira que expõe o capacete espetado na baioneta antes de propriamente mostrar a cabeça.

Claro que o jornalista não esmoreceu. Ao longo dos últimos anos lançou biografias do poeta e letrista Torquato Neto, do empresário de salas de cinema Luiz Severiano Ribeiro e até de Santa Edwiges, a padroeira dos endividados. Todas devidamente não-autorizadas.
AUTÓGRAFOS NO MUSEU GUIDO VIARO
A mais recente biografia de Vaz, prestes a sair do forno, é a do compositor e cantor Zé Rodrix (“O Fabuloso Zé Rodrix”, Editora Olhares).
O livro será lançado no próximo dia 25, em São Paulo, no dia em que José Rodrigues (ele mesmo) completaria 70 anos. É o início do périplo de Vaz.
Em seguida, ele desembarca em Curitiba para a noite de autógrafos no Museu Guido Viaro, no dia 1º de dezembro, a partir das 19 horas. Às 20h30 será lançado o documentário homônimo dirigido por Leo Côrtes e produzido pela Caravela Filmes, que também faz parte do pacote.
LERNER: SÓ CURITIBA NÃO VÊ
O jornalista nascido em Curitiba, mas radicado no Rio, é autor também das memórias recolhidas de um certo urbanista e arquiteto chamado Jaime Lerner (“O que é ser urbanista – ou arquiteto de cidades”, Editora Record, 126 págs., 2011) que, aliás, está na crista da onda em São Paulo. Por razões inexplicáveis, a obra dormitou nas prateleiras das livrarias da capital paranaense, sem despertar maior atenção. Ah, Curitiba ingrata.
