segunda-feira, 11 maio, 2026
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‘KAMIKAZE’ OU COMO ELIMINAR UM APRESENTADOR DE TV

Didier Grousset e Michel Galabru: agora, só em VHS
Didier Grousset e Michel Galabru: agora, só em VHS

A TV francesa tem o seu quinhão de culpa. É mesmo chata de doer. E o diretor Didier Grousset, juntamente com o produtor Luc Besson (este mais conhecido do público brasileiro), resolveram levar o projeto adiante. Em 1986, escreveram o roteiro do filme, dirigido por Grousset, em que um cientista maluco interpretado pelo excelente Michel Galabru (Albert Bohringer) inventa uma máquina cuja função é explodir apresentadores nos estúdios de TV.

ELES EXPLODEM

Tratava-se, obviamente, de uma tragédia, mas para o espectador é impossível não sentir uma espécie de prazer mórbido ao assistir âncoras das emissoras de televisão explodir literalmente diante das câmeras.

CORTE DE GASTOS

Bohringer era um inventor de produtos inúteis em uma empresa multinacional até ser demitido sob a velha alegação de corte de custos.

RAIO MORTAL

Vai para casa, onde mora com o sobrinho e a esposa dele, e passa a dedicar seus dias e noites a assistir televisão. Não demora a que construa uma máquina que dispara um raio através do aparelho de TV, este chega à câmera no estúdio e depois ao apresentador, fulminando-o. É mesmo de uma crueldade sem par. Mas é impossível não rir.

SERIA CÔMICO NÃO FOSSE TRÁGICO

A comicidade do filme de Grousset (sim, eu disse comicidade) está nas mortes. E ele não disfarça esse detalhe. Uma das vítimas é uma apresentadora que passa detalhes de uma receita culinária ao telespectador. Qualquer semelhança com tantos outros chatos que habitam a “máquina de loucos”, como define o personagem de Galabru, não é mera coincidência.

SEM EFEITO

Para resolver os crimes, surge um ardiloso comissário francês, Ramis (Richard Bohringer); este, que imediatamente convoca um time de cientistas de todos os cantos do mundo e ordena às emissoras de TV que não transmitam mais programas ao vivo, o que tornaria sem efeito a máquina de Bohringer que só consegue atingir suas vítimas em tempo real.

CHEIO DE ORGULHO

Por que o filme se chama “Kamikaze”? Há ao menos uma explicação plausível. Em uma festa à fantasia promovida pelo sobrinho, Bohringer se veste como um samurai. Em outro trecho do filme, um depoimento dirigido a ele na TV pela Secretária de Estado da Comunicação, que a esta altura anda se insinuando para os lados do comissário de polícia, o trata como “gênio” e também como “kamikaze”. O que, diga-se, o enche de orgulho.

POBRE ASSISTENTE

Mas é só. Antes de ser finalmente apanhado, Albert ainda consegue driblar o esquema de segurança da polícia e mata um assistente de produção, invadindo uma das câmeras de TV acidentalmente ligada no estúdio. Isso sim é injustiça.

DENTES BRILHANTES

De resto, é preciso a um cientista que se preze explicar suas razões: “Elas são chatas, as apresentadoras, com suas bocas em forma de coração e dentes brilhantes”. Pode parecer um pecadilho, mas se uma máquina, tal como inventada por Bohringer, fosse colocada à venda no Brasil, haveria uma corrida às lojas. Quem costuma assistir aos telejornais, contabiliza duas ou três razões para despachar o âncora (ele ou ela), ao melhor estilo “Kamikaze”.

RARIDADE EM VHS

Um aviso: o filme de Grousset é uma raridade. Para assisti-lo, é preciso vasculhar os sebos, procurar em locadoras especializadas ou comprá-lo pela internet. E só em VHS. Infelizmente, ele não foi lançado em formato DVD no Brasil. Raios, raios duplos.

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