
Com três mandatos de governador do Paraná no currículo, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse em reportagem da Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda (16), que está pronto para se lançar nas urnas mais uma vez para comandar o Estado. É quase uma obsessão.
O peemedebista, contudo, não está sozinho. Outros 14 ex-governadores estudam candidaturas para voltar ao cargo. É o caso de Roseana Sarney (PMDB-MA), que disputaria o quinto mandato no governo do Maranhão, e de Anthony Garotinho (PR-RJ), preso na “Operação Chequinho” e propenso, segundo diz, a emplacar outro mandato (o terceiro) à frente do combalido estado do Rio de Janeiro.
A NOVIDADE É BOBAGEM
Na reportagem à Folha, Requião caprichou nas declarações. Disse que “a novidade é bobagem”, apresentando-se como veterano e comparando a governança ao atletismo quando está em jogo o voto do eleitor: “Numa Olimpíada, você coloca o atleta experimentado”.
Não se trata do Requião “low profile” que se apresentou na campanha de 2002, é o Requião de sempre, saboreando uma pré-candidatura para ver no que vai dar.
Aliás, quem conhece o senador paranaense sabe exatamente o que ele quis dizer quando declarou “sem falsa modéstia, (que) seria uma candidatura facílima. Acho que a opção do eleitor vai ser a seriedade e a experiência, não o novo”.
O ADVERSÁRIO NAS CORDAS
Fácil é uma palavra dita com frequência por Requião quando todas as outras falham. Trata-se de um meio ultrapassado, mas eficiente, de jogar o adversário nas cordas antes que ele se apresente como tal. O ex-governador usou da estratégia, em 2006, quando Osmar Dias recusou a coordenadoria da campanha do peemedebista para disputar o governo.
Requião era candidato à reeleição. Seria “fácil”. Levaria no primeiro turno.
Não foi fácil. Tampouco levou no primeiro turno. A disputa, aliás, foi voto a voto e Requião só conseguiu a vantagem quando, apuradas 90% das urnas, Osmar ainda aparecia na frente.
CORTINA DE FUMAÇA
O “fácil” para Requião é um sofisma. Ilusório, uma cortina de fumaça.
Com o objetivo de esconder mais do que revelar. É uma das táticas do peemedebista. Uma velha tática. Vale lembrar: Requião, venceu em 1990, em 2002 e em 2006. Mas perdeu em 1998 e em 2014, quando era um senador dando-se ao luxo de concorrer ao governo. Só não disputou em 2010, porque o terceiro mandato consecutivo é vetado pela Constituição, mas arrebanhou a eleição ao Senado, garantindo assim o mandato político, o foro privilegiado e outras facilidades que o fazem ver ao seu redor somente o “espetáculo do fácil”. Complicados são os outros.
NÃO É BEM ASSIM
Resumo da ópera: Requião subestima realidades, como o “novo”, que seria Ratinho Junior, e os experientes e com boas bases, que são Cida Borghetti e Osmar Dias.
Será que Requião inclui entre os dois que, como ele, não serão atingidos pela “bobagem do novo”?
