A mesma pesquisa Datafolha que aponta a liderança de Lula na corrida presidencial, com 35% das intenções de voto, também o quer preso. Não, não se trata de engano. Os questionários são diferentes, mas os 2.772 entrevistados de 194 cidades ouvidos entre os dias 27 e 28 de setembro são os mesmos. A diferença é que exerceram o livre direito ao paradoxo.
MOCINHO OU BANDIDO
A um ano da eleição, é natural que Lula seja o mais lembrado, como mocinho ou bandido – o que, no caso, do Brasil é quase a mesma coisa – porque não há outro que lhe faça frente. O teste é fácil: pense, o caro leitor, em um nome agora e o cenário será o de terra arrasada. Lula é tão citado como presidente como é na condição de detento, porque é o que se oferece na mídia ou, em termos acadêmicos, na “agenda setting” da comunicação.
URUTU BLINDADO
E é tanto mais mencionado porque aquele que o contrapõe é um urutu blindado que atende por Jair Bolsonaro. Creia, salvo as redes sociais e o contingente do Batalhão de Infantaria mais próximo, não há quem leve o deputado a sério. Por mais que a direita assombre o mundo não há sombra mais risível do que a direita de Bolsonaro e seus seguidores.
CANDIDATURA AVULSA
O destino reservado a ele é o mesmo de outros candidatos que viraram pó tão logo a corrida presidencial começou para valer. Fala-se em candidaturas avulsas, o que é louvável, mas desde que venham precedidas ou acompanhadas do voto facultativo. Pensar que o voto pode mudar o mundo é uma bobagem sem par. Vota-se por direito, não por dever. As abstenções e os votos nulos e brancos já deram demonstrações que à vontade popular cabe o não-voto.
Basta desse civismo de botequim.
SÓ A CHICANA SALVA
Lula já foi contra a reeleição, a favor do parlamentarismo e, até prova em contrário, adversário do voto facultativo. Será candidato à presidência. Não há condenação em segunda instância efetiva quando há chicanas suficientes à disposição para garantir-lhe o nome na cédula eletrônica de votação. Se ganhar e não levar bagunça as instituições. Se ganhar e levar bagunça também. Mas nós já estamos acostumados.
