domingo, 10 maio, 2026
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NÃO IMPEÇAM A ACADEMIA DE SER UMA CASA DE NOTÁVEIS

René Dotti: liberdade a toda prova; Chloris Justen: presidência fértil; Eduardo Rocha Virmond: no mesmo tom
René Dotti: liberdade a toda prova; Chloris Justen: presidência fértil; Eduardo Rocha Virmond: no mesmo tom

A Academia Paranaense de Letras, APL, não é propriedade de grupos, ao contrário de quem, eventualmente quer blindar a instituição de olhares e cogitações externas.

Umas dessas estranhas atitudes estaria fixada em torno da campanha para a Cadeira 22, em que se defrontarão Márcio Renato dos Santos e Ethel Frota.

Para certos “imortais”, a lógica doméstica é que a campanha deveria ficar restrita à “sensibilidade dos acadêmicos”.

Se há interferência de opiniões alheias ao “sodalício”, que ‘sejam anátema’, sentencia um neo-Catão.

Opiniões jornalísticas sobre o tema, então, são um ‘pecado imperdoável…’

AMBIGUIDADE

Essa posição é curiosa: quando se trata de sensibilizar autoridades e comunidades (como quando consegue justos benefícios fiscais ou faz convênios com organizações do sistema S), a APL não mostra restrições.

Promove ‘saudáveis lobbies’.

Foi assim, por exemplo, com a notável e sempre presente Chloris Justen, quando, com Flavio Arns, conseguiu vários apoios do poder público para a instituição; ou quando o Belvedere foi cedido em comodato pelo Estado à APL, e a Fecomercio ofereceu todo apoio ao novo espaço, e a Prefeitura concedeu potencial construtivo ao imóvel.

Tais intervenções “externas” são incentivadas e sofregamente procuradas.

“ANÁTEMAS”

Que opinar sobre a APL e suas eleições, isso mereça “anátemas” é muito estranho. Isto especialmente porque se persistir no projeto de se tornar uma casa de notáveis – como o é a Academia Brasileira de Letras -, a APL terá de ficar acima de eventuais de noticiários e conchavos extra-APL, tais como fartamente acontecem na Casa de Machado de Assis.

Lá os candidatos à imortalidade se expõem ao julgamento também do mundo extramuros, da sociedade abrangente, da imprensa, num saudável prós e contras. É um conjunto de iniciativas gerada por gente acostumada à parceria com espíritos libertários. Coisa de gente civilizada.

Agora, uma ou duas sensibilidades que moram na APL sugerem, em tom decibéis acima do esperável, que nem a imprensa ou meros cidadãos devem se envolver com o tema eleição na Academia. O assunto seria do puro domínio interno da APL.

A “advertência” é risível, se não fosse ridícula e alimentada por espíritos “empachados” de soberba.

A soberba é pecado capital – superbia.

E mais: vejo na “determinação” indisfarçável avidez pelo poder, ânsia de comando, necessidade de domínio, que os gregos tanto condenaram, a pleonexia.

DOTTI, UM LIBERTÁRIO

René Ariel Dotti, acadêmico, um dos poucos paranaenses que têm, já, assegurada a imortalidade no reconhecimento da Nação, com sua obra jurídica, é, certamente, dos que devem até aplaudir que campanhas de candidatos àquela futura “casa de notáveis” ganhem a discussão pública.

Não posso esquecer outro notável do mesmo calibre, o ex-presidente da OAB-PR Eduardo Virmond, também acadêmico da APL, que, sei, é alma aberta ao direito de expressão.

Cito, com ênfase, o mestre Dotti porque ele, na minha opinião, sintetiza o que de melhor pode conter a Academia Paranaense de Letras. O que significa ser um pregoeiro do direito de que cada um expresse sua opinião sobre qualquer tema. Inclusive eleições da APL.

Acredito que o especialista e direito de expressão Dotti já deve ter bem definido – e discutido com terceiros – suas preferências para a cadeira 22.

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